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"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem"
Robert Musil em O Homem sem Qualidades

Sábado, Setembro 02, 2006

Afinal, Diogo é ou não um "companheiro"?

Diogo Mainardi aponta em sua coluna na Veja desta semana o que pode ser chamado de aparelhamento do portal iG pelo PT. E afirma que ele se dá sob a coordenação do jornalista Caio Túlio Costa (veja síntese de sua coluna abaixo). Muito bem. Caio, que é diretor presidente da Brasil Telecom Internet, enviou uma carta à Veja em que contesta as afirmações de Diogo (clique aqui para ler na íntegra).

Retórica à parte, o que há de essencial na resposta é o seguinte: o iG não poderia estar sendo aparelhado pelo PT uma vez que a coluna do próprio Diogo nele está hospedada em razão de um acordo do portal com a Abril. Escreve o diretor presidente: “O iG é ecumênico. Não é uma rua de mão única nem faz patrulha ideológica, como faz Mainardi. Publica as revistas da Abril, notícias da Agência Estado, da Reuters, publica artigos dos amigos de Diogo Mainardi que escrevem no site NoMínimo, traduz jornais como The New York Times” .

Noto que Caio usa os “artigos dos amigos de Diogo Mainardi que escrevem no site NoMínimo” como prova da independência do portal — uma deferência que talvez nem o próprio colunista da Veja esperasse. Como se vê: basta ser amigo do Diogo, e o cara já qualifica um portal. Diogo está bem. Mas a resposta de Caio me intrigou. Aí eu fiquei invocado e decidi ligar para o Diogo. “Pô, você é ‘companheiro’ do Paulo Henrique Amorim e fica pegando no pé dos caras?” Diogo explica abaixo por que isso é menas verdade.

Meu artigo diz que o iG começou a ser aparelhado pelo lulismo em maio de 2006, depois que Caio assumiu o cargo. Só para lembrar: quando ele foi contratado pelo pessoal dos fundos de pensão, a Veja já estava no iG, eu já estava no iG, o NoMínimo já estava no iG, o Observatório de Imprensa já estava no iG, o New York Times já estava no iG. As contratações que Caio fez foram outras: José Dirceu, Mino Carta, Franklin Martins, Paulo Henrique Amorim, Tão Gomes Pinto, Carta Capital e, por último, Luis Nassif. Um vexame do Caio Tulio.”

A propósito: alguns internautas leram na coluna do Diogo que “o assessor de imprensa de Delcídio Amaral (...) tem um blog político no iG” e me perguntam quem é. O articulista refere-se a Tão Gomes Pinto. Ele fazia um clipping para o petista. Não sei se continua a recortar jornais para o agora candidato do partido ao governo do Mato Grosso do Sul.

Para encerrar. Diogo também lembra em sua coluna que a Carta Capital moveu uma verdadeira campanha contra Daniel Dantas, ex-controlador da Brasil Telecom. Agora que o empresário perdeu o controle da empresa, ela hospeda, por meio do iG, a revista. Sobre isso, Caio não se manifestou.

Tudo parece claro agora.

Ainda Bastos e a segurança

Querem saber? Talvez incomode menos a óbvia exploração política que este senhor está fazendo da questão da segurança do que a facilidade com que a imprensa está seguindo a sua pauta. Na semana passada, veio a público a notícia de que os homicídios, no primeiro semestre deste ano, caíram em mais de 50% na comparação com 2001. Foi manchete? Alguém deu chamada na primeira página? Não e não. Da mesma maneira, desabou o número de latrocínios. Ninguém quer saber. Mas se permite, sem críticas contundentes, que Bastos fique cacarejando seu ovo por causa do presídio de Catanduvas. Ovo único. É uma galinha mais cantadeira do que poedeira. Um único presídio em quatro anos! Contra 75 construídos em São Paulo. Isso não é campanha eleitoral. É fato.

Cinicamente, ele oferece vagas de segurança máxima para São Paulo — vagas de que o Estado não precisa porque as tem de sobra. O que falta são presídios de segurança média. Se Alckmin — ou, agora, Lembo — tivessem decidido devolver os presos da alçada federal para a União, o Grande Nariz não teria onde colocá-los. Passam de mil. Verdade ou mentira, doutor? O caso é que o governo de São Paulo, este e o que o antecedeu, é muito ruim de marketing. Saulo de Castro Abreu nunca foi o preferido do jornalismo, ao contrário de Bastos, cuja suposta competência é cantada em prosa e verso. Assim, o país vai ficando refém da politização óbvia da segurança pública.

A prova escancarada é que Mercadante já levou a prisão dos assaltantes de banco para a campanha eleitoral, opondo o que seria a competência federal à incompetência estadual. Imaginem o que seria São Paulo se o ritmo de construção de presídios seguisse o padão Bastos de rapidez... Mas o PSDB não consegue evidenciar a eficiência — sim, a eficiência — de sua política de segurança no Estado. E por que não? Ah, porque os marqueteiros dizem que esse é um daqueles casos em que a população nunca está contente.

Mexer com números fica parecendo argumento defensivo, dizem eles. Bem, então uma questão se coloca: como é que os petistas, incompetentes como são, cantam as suas glórias? A diferença, lamento dizer, está em outro lugar: trata-se de saber ou não fazer política. O PT sabe. E, como a política do partido é um lixo moral, o que produz na prática não difere do conceito. E, evidentemente, também há a simpatia da esmagadora maioria dos jornalistas pelo petismo.

Polícia Federal e política federal

Leiam no post sobre a ação da PF abaixo uma pequena aposta, só retórica, que fiz sobre quanto tempo levaria para que começasse a exploração eleitoral da ação da PF. Pois é: em campanha na Zona Leste de São Paulo, adivinhem quem falou primeiro? Sim, Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Leitores me perguntam se a ação tem objetivos também eleitorais e o que fazer nesses casos. É claro que tem, e não há nada a fazer. Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, está com todas as respostas na ponta da língua. O monitoramento começou há um ano, mas foi preciso esperar — ele só não diz que foi preciso esperar a reta final das eleições — para pegar todo mundo reunido. A desculpa é parva, para dizer pouco. Quer dizer que a PF tem inteligência e logística para atuar em vários Estados ao mesmo tempo, prender 39 pessoas, mas não poderia ter agido, sei lá, há dois meses? Era preciso esperar o túnel cinematográfico ser antes aberto. É possível inferir que estes mesmos criminosos puseram a segurança de terceiros em risco, enquanto a PF aguardava “o melhor momento”? É claro que sim. Mas estamos diante de uma situação em que a crítica é quase impossível. A oposição, por exemplo, não tem o que fazer a não ser lembrar que a PF é uma instituição do Estado. Há muito tempo afirmo que Bastos é o “mais profissional” deste governo... Entendo que os vínculos dessa quadrilha presa com o PCC ainda precisam ser evidenciados. Uma vez confirmados, não faz sentido opor a “eficiência” da PF à da Polícia de São Paulo, que não poderia atuar em Porto Alegre ou em Maceió. Jamais os subestime. Será sempre um erro.

Veja 6 - Urna não absolve crimininosos

Marlon Brando, no papel de Marco Antônio, discursa diante do corpo de César, no Filme Júlio César, de Mankiewicz. Leia o artigo de Veja para saber por que a ilustração foi escolhida
Meu artigo de estréia na Veja chama-se “Urna não é tribunal. Não absolve ninguém”. Trata da mais recente moeda política falsa posta para circular pelo petralhismo: quem for reeleito está absolvido. Seguem trechos do artigo e link para assinantes: “Um novo refrão anda ‘nas cabeças, anda nas bocas’, poderia dizer o lulista Chico Buarque: a possível reeleição do presidente absolve os petistas de todos os seus crimes. As urnas fariam pelo PT o que o ditador soviético Josef Stalin fez por si mesmo: apagar a história. É um embuste. (...) O povo é, sim, um tipinho suspeito, mas não vota para livrar a cara dos marcolas da ideologia. O voto do ignorante vale menos? Não. Mas também não vale mais. Nem muda a natureza das instituições. E não absolve ninguém, tarefa que continuará a ser da Justiça. A vacina contra o autoritarismo virótico de quem pretende cair nos braços do povo para ser absolvido de seus crimes está em Origens do Totalitarismo, da pensadora judia-alemã Hannah Arendt. Aprende-se ali que não devemos permitir que os inimigos da democracia cheguem ao poder, negando-nos, uma vez lá, em nome dos seus princípios, as liberdades que lhes facultamos em nome dos nossos. (...) Felizmente, a democracia é um regime legitimado pela maioria, mas sustentado pelas elites, de que a imprensa faz parte. As esquerdas se arrepiam diante dessa afirmação. (...) E não custa lembrar: Nixon teve de renunciar ao segundo mandato por causa de uma besteira feita no primeiro. Foi eleito pelo povo. Foi deposto pelas instituições. As primeiras palavras da Constituição americana explicam tudo: ‘Nós, o povo...’. Foi escrita para durar. Afronta, se preciso, o povo que há em nome do povo a haver. Se reeleito, Lula que se cuide. A luta continua.” Clique aqui para ler mais

Veja 5 - Diogo descobre a mídia independente

O PT, como todos sabem, demonstra em seu programa de governo a disposição de controlar os meios de comunicação. A proposta vem com o eufemismo “incentivo à mídia independente”. Diogo Mainardi descobriu que esse incentivo já começou. E sua apuração revela dados muito interessantes. Seguem alguns trechos e link com a íntegra para assinantes: “José Dirceu tem um blog. Quer saber quanto o iG gasta com ele? Eu também quero. Quer saber de quem é o dinheiro do iG? É seu, tonto! De quem mais poderia ser? O iG pertence à Brasil Telecom. E a Brasil Telecom está na esfera dos fundos de pensão estatais. Eu já contei aqui na coluna como o lulismo tomou a Brasil Telecom de Daniel Dantas. (...) Quando os fundos de pensão passaram a influir no iG, o portal se transformou na voz do PT. (...) foram contratados como comentaristas Franklin Martins, Paulo Henrique Amorim e Mino Carta. (...) Paulo Henrique Amorim e Mino Carta se engajaram pessoalmente na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas. Quer saber quanto o iG paga a Franklin Martins? Entre 40 000 e 60.000 reais. Quer saber quanto ele paga pelo programa de Paulo Henrique Amorim? 80.000 reais. (...) Carta Capital sempre atacou Daniel Dantas. Acaba de ser recompensada por um acordo com o iG. De quanto? Eu quero saber.(...)" Clique aqui para ler mais

Veja 4 - Lula e o PT: qual discurso vale?

Por Otávio Cabral: “Em seus discursos recentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma espécie de nova Carta aos Brasileiros, o documento com que, na campanha de 2002, se comprometeu diante da nação a manter a racionalidade econômica e a normalidade democrática. Com simplicidade, ele disse que é preciso reduzir a carga tributária, cortar os gastos públicos e manter uma rigorosa disciplina fiscal. No campo político, Lula foi cristalino quanto aos princípios que se propõe a sustentar. Eles vão dos menos factíveis, como dialogar com "todos os partidos", aos mais pétreos, como considerar "sagrado" seu compromisso "com a liberdade e a democracia". O dado surpreendente é que nada disso – a sensatez na economia, a maturidade na política – esteja contemplado no programa de governo que o PT fez para um eventual segundo mandato. Com 34 páginas e elaborado durante quatro meses, o programa é uma peça anódina, vaga e genérica, na qual não se elege um conjunto de prioridades, não se fixam compromissos claros nem se aponta um rumo minimamente nítido para o país. É uma peça tão aérea e tão imprecisa que fica devendo em clareza até mesmo às 88 páginas da proposta apresentada por Lula na campanha presidencial de 2002.” Clique aqui para ler mais

Veja 3 - Os pobres, a classe média e o voto

Por Julia Duailibi: “A campanha presidencial deste ano não esquentou até agora, mas já produziu um fenômeno novíssimo: nunca, desde que o país voltou à democracia em 1985, houve um desgarramento tão profundo entre o voto dos pobres e o voto da classe média. Nas eleições presidenciais anteriores, o eleitorado de Luiz Inácio Lula da Silva sempre ficou eqüitativamente distribuído entre os pobres e a classe média. Em 1989, quando disputou a eleição com Fernando Collor, Lula tinha 15% dos votos da classe média, que compreende quem ganha entre 1.750 e 3.500 reais mensais. Entre o eleitorado mais pobre, com renda familiar de até 1.750 reais, Lula tinha 14% das intenções de voto. A diferença, portanto, era de apenas 1 ponto porcentual. Na eleição seguinte, a diferença ficou em 3 pontos porcentuais. Desta vez, num movimento inédito, o fosso ampliou-se drasticamente, chegando a 16 pontos porcentuais se comparam as intenções de voto da classe média com as de um grupo menos favorecido, formado por famílias que ganham até 700 reais por mês, a diferença aumenta ainda mais, saltando para 20 pontos porcentuais.” Clique aqui para ler mais

Veja 2 - Suassuna ameaça levar mais gente

Por Diego Escosteguy: “Entre os 72 parlamentares já emparedados pela CPI dos Sanguessugas, nenhum tem a musculatura política do senador Ney Suassuna. Manda-chuva do PMDB, ex-líder do partido no Senado, ex-ministro de Fernando Henrique e assíduo interlocutor do presidente Lula, Suassuna caiu em desgraça quando o empresário Luiz Antônio Vedoin decidiu expor as ventosas do esquema que drenava dinheiro público por meio da compra de ambulâncias superfaturadas. Depois de ter um assessor preso por receber dinheiro da máfia, e dos depoimentos do próprio colaborador confirmando que ele sabia do esquema, Suassuna teve seu processo de cassação aberto pelo Conselho de Ética do Senado na semana passada. Suassuna sabe que o relator de seu processo, o implacável senador Jefferson Peres, do PDT do Amazonas, dificilmente deixará de pedir sua cassação. Desesperado com a possibilidade de perder o mandato, ele vem distribuindo recados ameaçadores aos colegas de partido, incluindo o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros. ‘Não caio sozinho’, tem repetido aos quatro ventos em Brasília.Clique aqui para ler mais

Veja 1 - Depois daquele 11 de Setembro...

A revista faz uma reportagem especial sobre as 50 coisas que mudaram no mundo depois daquele 11 de Setembro de 2001. Segue um trecho da abertura e link para assinantes. Por Diogo Schelp e Isabela Boscov: “Na segunda-feira dia 11, completam-se cinco anos dos atentados terroristas que derrubaram as torres do World Trade Center, em Nova York, parte do prédio do Pentágono, em Washington, e feriram os Estados Unidos, pela primeira vez, no coração de seu próprio território. Para os milhões de pessoas que, no dia 11 de setembro de 2001, assistiram à tragédia ao vivo, pela TV, ficou claro imediatamente tratar-se de um daqueles fatos que modificam o curso da história. Na reportagem das páginas seguintes, VEJA mostra cinqüenta mudanças impactantes provocadas ou aceleradas pelo ataque terrorista. Algumas dizem respeito ao dia-a-dia mais próximo: um clima de insegurança se propagou, a vigilância sobre as pessoas cresceu e atividades como programar uma viagem e embarcar num avião já não são lúdicas e prazerosas quanto antes. Outras atingem valores e visões de mundo. A religião se misturou novamente de maneira perigosa com a política, o Ocidente e o Islã se chocaram. Outras, ainda, dizem respeito às relações internacionais. Na resposta à ameaça terrorista, os Estados Unidos se assumiram como império, e isso teve impacto em suas relações com todos os demais países – sejam eles aliados, sejam eles inimigos.” Clique aqui para ler mais

Governo incha quadro e ainda contrata temporários

Por Carlos Marchi no Estadão de hoje: “Antes mesmo das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já prometeu contratar 28,7 mil servidores em 2007 para substituir temporários e terceirizados. A promessa ajuda a entender a razão pela qual o Orçamento Geral da União não prevê corte de gastos no próximo ano, mas não explica por que, pela segunda vez, o governo fala em substituir terceirizados por fixos, apesar de contratar cada vez mais funcionários temporários. Uma nota técnica de economistas do PSDB recorreu a números oficiais para comprovar que essa opção administrativa leva ao aparelhamento do Executivo pelo governo Lula. A nota mostra que houve aumentos expressivos dos gastos com o pessoal civil, dos cargos em comissão, das nomeações de servidores temporários e das contratações de terceirizados. O truque que o governo praticou para equilibrar a conta total de gastos com servidores foi arrochar os militares e dar pequenos aumentos para os inativos, diz o economista José Roberto Afonso, que coordenou o trabalho. ‘Os gastos excessivos com pessoal vão explodir a partir de 2007’, afirma ele." Clique aqui para ler mais

Efeito Ditão: detalhes do crescimento de Alckmin

Dados importantes sobre a pesquisa Ibope no Estadão: “Alckmin subiu 5 pontos entre os que têm ensino médio e 7 entre os que têm ensino superior, mas cresceu também nos estratos inferiores; Lula teve uma queda expressiva (10 pontos) nos de escolaridade superior. O tucano cresceu em todas as faixas de renda: ganhou 14 pontos (de 17% para 31%) entre os que ganham de 5 a 10 salários mínimos e 11 pontos entre os que ganham mais de 10 salários. Lula, para variar, cresceu 5 pontos nesta última faixa (de 60% para 65%), mas perdeu nas outras (6 pontos entre os que ganham mais de 10 salários mínimos). Alckmin subiu 10 pontos no Sul e Lula caiu 10 no Norte/Centro-Oeste. A disputa se equilibrou no Norte/Centro-Oeste (48% a 43% para Lula), no Sudeste (46% a 39% para Lula) e no Sul (48% a 40% para Alckmin). O desequilíbrio é o Nordeste: Lula tem 69% a 22%.” Clique aqui para ler mais

Agora é oficial: Chávez anuncia a ditadura

No Estadão, com informações da AFP e da Rutrs: "O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou ontem que, se reeleito em dezembro, convocará em 2010 um referendo para estabelecer a reeleição ilimitada e afirmou que a partir de 2007 dará início à segunda fase de sua revolução, para que a Venezuela se converta numa 'república socialista bolivariana'. Chávez fez o anúncio ao ser recebido ontem por uma multidão depois de suas visitas de Estado à China, Malásia, Síria e Angola. Na ida e na volta, o líder venezuelano passou por Cuba e visitou seu colega cubano, Fidel Castro.Chávez dá como certa sua reeleição no fim do ano, numa votação para a qual é amplamente favorito, segundo pesquisas. Pelas regras atuais, ele não poderia candidatar-se a um novo mandato em 2014. 'Em 2010, quando chegar ao terceiro ano do próximo mandato, convocarei uma consulta popular', discursou Chávez, referindo-se à questão da reeleição ilimitada. "Agora, de 2007 até 2021, serão 14 anos para estender nossa revolução a todos os espaços, para que a Venezuela se torne uma república socialista bolivariana em toda a sua dimensão, para que haja igualdade verdadeira, liberdade plena, democracia profunda, democracia popular, democracia participativa e democracia protagônica." Clique aqui para ler mais

PF: um golaço contra o PCC. E na boca da urna

Vamos ver quanto tempo Lula e Aloizio Mercadante vão levar para explorar o fato no horário eleitoral gratuito. Comecem a contar no relógio. Por Marcelo Godoy, do Estadão: “A Polícia Federal estragou a festa. Prendeu 40 bandidos do Primeiro Comando da Capital em dez Estados e, com a Operação Facção Toupeira, desbaratou o grupo responsável pelo mais ambicioso plano do PCC desde o furto de R$ 164,7 milhões do Banco Central de Fortaleza, em 2005: o ataque simultâneo ao Banrisul e à Caixa Econômica Federal, em Porto Alegre. De quebra, pôs atrás das grades líderes do bando como Lucivaldo Laurindo, de 33 anos, o Torturado, e Carlos Alberto da Silva, de 27, o Balengo, suspeito de liderar o seqüestro do repórter Guilherme Portanova e do cinegrafista Alexandre Calado, da TV Globo, em agosto. A PF tem indícios de que Balengo tinha sido pego por policiais paulistas: pagou R$ 90 mil e foi solto. ‘É um golpe forte no crime organizado naquilo que ele tem de oxigênio, que é o dinheiro’, comemorou em São Paulo o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos - capitalizando em cima da operação bem-sucedida da PF em plena campanha eleitoral . O bando preparava novos assaltos. A PF prendeu ontem em Maceió cinco homens escavando um túnel para furtar outro banco. As outras prisões aconteceram em São Paulo (7), Rio Grande do Sul (26), Paraíba (1) e Piauí (1). Há oito foragidos. Todos tiveram a prisão decretada pela 11ª Vara Federal de Fortaleza. A PF deve cumprir 84 mandados de busca e 17 seqüestros de bens.” Clique aqui para ler mais

Tasso: batendo no PT, mas livrando Palocci

Por Eliane Cantanhêde, na Folha deste sábado: “O presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), 57, deixou claro que os tucanos vão subir o tom dos ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gradualmente. Em entrevista à Folha, ele disse que o objetivo é mostrar que três características do governo petista são ‘farsa, corrupção e arrogância’.
FOLHA - Vocês pretendem bater cada vez mais no Lula, no governo e no PT daqui em diante?
TASSO JEREISSATI
- Quem fala em bater é você. Nós apenas vamos mostrar que esse governo é uma verdadeira farsa. Aliás, são três as características: a farsa, a corrupção e a arrogância. Temos obrigação de mostrar quem foram Delúbio Soares, Sílvio Pereira, Waldomiro Diniz e que o José Dirceu, cassado pela Câmara, e o Antonio Palocci caíram por desvios éticos. Um descalabro.
FOLHA - O sr. inclui o Palocci, mas uma parte do PSDB, o sr. principalmente, e do PFL, como o senador Antonio Carlos Magalhães, não eram os maiores defensores dele?
JEREISSATI
- O Palocci salvou o governo. Houve determinados momentos em que, se o PT fizesse o que queria fazer, teria jogado o país no abismo. Mas, paralelo a isso, o Brasil inteiro viu a questão do caseiro [Francenildo Pereira] e da mansão de Brasília do Vladimir Poleto [ex-assessor de Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto]. Uma coisa não desmente a outra."
Clique aqui para ler íntegra

Isto é Berzoniev!

Ricardo Berzoini, presidente do PT, é, sem dúvida, o mais perigoso da turma. É o protótipo do burocrata frio, que nunca se abala. Seu perfil e verdadeiramente soviético. Até na aparência. Por isso eu costumo chamá-lo de Ricardo Berzoniev. Ele concede uma entrevista à Folha, publicada neste sábado. O de sempre: nega o mensalão, livra a cara de companheiros etc. O mais interessante, no entanto, está neste trecho. Leiam pergunta de Eliane Cantanhêde e resposta:

FOLHA - Como explicar para a opinião pública que o Lula e o PT estão com Sarney, Newtão, Jader Barbalho, que o PT sempre criticou?
BERZOINI
- Outro dia eu vi o recorte do jornal "O Globo", de 50 anos atrás, com acusações pesadas contra o pai do senador Tasso Jereissati. Eu, ao ler aquele jornal, não conclui imediatamente que as acusações eram verdadeiras. Mas Tasso seria uma pessoa com quem eu nunca faria aliança. Ele é muito preconceituoso, não reconhece que o governo que ele apoiou por oito anos fez alianças com as mesmas pessoas com que ele agora não quer que o PT faça.

Vejam só. Em tão poucas palavras, ele faz uma espetacular inversão. Quem sempre patrulhou alianças alheias é o PT. Daí que se cobre hoje do partido a coerência com os que condenava antes. Mas o burocrata não se abala: o PT só está se juntando com gente que antes apoiou o governo FHC. Entenderam? Qualquer eventual defeito do partido pertence a outros. Ele chega a dizer que foi o PSDB quem deu início ao valerioduto. E é um homem de ameaças. A referência ao pai de Tasso é um recado. Que sentido há em falar de uma reportagem de há 50 anos? E faz uma provocação: aliado de Newtão e Jáder, com Tasso, no entanto, ele não quer conversa. É óbvio que está sugerindo que o cearense é pior do que seus notórios aliados. É bom para o PSDB aprender. Quem sabe agora o presidente da sigla se arrependa de todas as vezes em que comandou a blindagem de Antonio Palocci no Senado... Clique aqui para ler mais

Nojeeeeeeentos!

O país tá ficando nojento. A ética da merda está se espalhando. Vejam vocês. O advogado de Francenildo Costa, o caseiro que teve seu sigilo bancário violado pela CEF e por Antonio Palocci, entrou na Justiça com uma ação de reparação por danos morais. Até aí, ok. Quando seu advogado está pedindo? Nada menos de R$ 17,5 milhões. Ô moral cara do capeta! Uma ação de reparação não existe para enriquecer o ofendido. Menos ainda para torná-lo um milionário... Aí a Caixa Econômica Federal se defende. Como? Inventou a quebra do sigilo não contabilizada. Diz que apenas “transferiu” para Palocci os dados. É mentira. A revista Época os publicou. E o advogado da CEF ainda tira uma casquinha do caseiro: “É até mesmo difícil se imaginar como o autor, homem novo, saudável, apto para o trabalho e demais atividades, teria tido sua vida tão desestruturada em decorrência de tal episódio". Coralário: se o brasileiro é jovem e saudável, seu sigilo bancário corre mais risco do que se for decrépito. Leia matéria de Marta Salomon na Folha, de que seguem trecho e link: “Com o argumento de que não violou a conta de Francenildo dos Santos Costa, mas apenas "transferiu" o sigilo bancário ao então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a Caixa Econômica Federal se recusou a pagar indenização ao caseiro. Francenildo pede na Justiça R$ 17,5 milhões da estatal por danos morais. Cópia do extrato bancário do caseiro foi levada pessoalmente pelo então presidente da Caixa Jorge Mattoso a Palocci na noite de 16 de março. Naquele dia, Francenildo testemunhara contra o ex-ministro da Fazenda na CPI dos Bingos, que investigava envolvimento de ex-assessores de Palocci em esquema de corrupção.” Clique aqui para ler mais

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Imagem do dia

Caridade, Esperança, Fé - de Daniel Christian Rauch

Profecias começam a se autocumprir, e a minha "profecia" se cumpre mais uma vez...

Leio na Folha On Line o texto de Kennedy Alencar segundo o qual Gonzáles começou a bater em Lula dentro do mais rigoroso planejamento (clique aqui). Não sei, não, Kennedy... Acho que já teve início a fase das profecias de marqueteiro que se vão autocumprindo. As quatro fases seriam as seguintes: 1) Alckmin em Pinda; 2) Alckmin político completo e obreiro; 3) Geraldo realizador, já criticando Lula (a campanha estaria nessa etapa), e 4) Geraldo que acusa a corrupção, linguagem dura e tal. Se estamos agora na três, acho que não percebi a diferença entre a 1 e a 2. Alguém aí percebeu? Desde o primeiro dia, até começarem as críticas a Lula, o horário eleitoral tucano era um suceder de obras de Alckmin misturadas a sua biografia (“Este é o meu quarto”, “aqui eu cortava o cabelo”...). Sei bem disso porque eu criticava aqui o que chamei de disputa pelo triunfalismo obreiro. Até brinquei que qualquer um no mundo adoraria viver no Estado governado por Alckmin; melhor ainda se tal Estado estivesse no país presidido por Lula. Se tudo obedece a planejamento tão rigoroso, estava previsto também que Alckmin cairia na preferência no eleitorado após o início dos programas, ou isso foi uma dessas manifestações da realidade que só atrapalham os planos perfeitos? Se Gonzáles combinou até a queda nas pesquisas com Alckmin, então os dois são irresponsáveis. Como eu acho que não são; como Gonzáles é um cara competente, eu acho mesmo é que eles se equivocaram, ainda que agora tentem contar a história desde o fim. De resto, acho essa coisa toda um tanto duvidosa. Quer dizer que um marqueteiro apresenta um plano “imexível”, como diria o saudoso Rogério Magri (oh, tempos inocentes!, quando uma cadelinha era motivo de escândalo...), sem saber o que vem do lado de lá, como vai se apresentar o adversário? É bem mais bonito admitir que errou. É bem mais saudável e instrutivo assumir que se perdeu tempo. É a única chance de continuar acertando. Marqueteiros entendem de marketing. Ainda não se tornaram pensadores políticos Nestepaiz... Ou, dentro em breve, estarão rivalizando com Maquiavel e Hobbes.

O crescimento e a origem do mal no mundo

Boa parte dos males do Brasil — ousaria dizer: do mundo — decorre do fato de que as pessoas não me ouvem. É verdade. Ontem, por exemplo, pedi para Lula parar de tomar café com leite logo cedo e só beber água. Por quê? Para parar de falar bobagem. Me ouviu? Não! Resultado. Ele foi falar sobre o crescimento de apenas 0,5% do PIB no segundo trimestre e disse o quê? A culpa é de quem fica torcendo contra o Brasil. É a segunda boa explicação de um petista. Para Mercadante, culpada foi a Copa do Mundo. Corolário: se a gente abolir o futebol e ficar todo mundo concentrado, torcendo para o PIB crescer, vai acontecer o quê? Ele cresce, ora essa! Mesmo que os ETs não queiram; mesmo que o Zeppelin do Chico Buarque volte para pegar a Geni... É só mobilizar a "massa encefálica democratizada", e o milagre se faz. Ele voltou a falar na meta de 4%, que, está claro, não será alcançada e, vejam só!, lembrou que ainda há dois trimestres. É verdade. Como o crescimento futuro depende do investimento, e como estes estão na lona, aquele também não virá. Ok. Mas o Apedeuta conta já estar reeleito. E terá alguma desculpa original a oferecer. Mesmo que a economia do país se expandisse em 4%, teríamos um crescimento médio, em quatro anos, de 2,95% (0,5%, 4,9% e 2,3%, respectivamente, nos anos anteriores). Considerando o que ocorre no mundo, é uma vergonha sem par. Quer dizer: o par mais próximo é o Haiti... Ainda não é aqui, mas é logo ali. Toma água, presidente!

Tá triste? Deprimido? Com a espinhela caída? Pense na animação de Cláudio Lembo...

Atenção, jornalistas do Brasil inteiro. Até 31 de dezembro, se o dia estiver aborrecido; se não rolar uma notícia interessante; se tudo estiver naquela modorra quase burocrática, liguem para Cláudio Lembo, governador de São Paulo. Ele dará um lead. Como não toma o lítio que eu recomendei, não põe a camisa-de-força, e ninguém se adianta em optar pela estaca, então ele vai falando. Hoje, em Bertioga, litoral, ele disse que falta vibração à campanha de Alckmin. E falou sobre si mesmo: “Eu sou um homem que vibro, sou muito equilibrado, mas vibro". “O cara tá de sacanagem?” — cariocas, ainda se fala isso no Rio? Eu, quando estou um tanto triste, “em-mim-mesmado”, com o humor meio mixuruca, faço o quê? Lembro de Lembo, e o céu logo se ilumina. Viro pura animação. Saio dando pirueta e salto mortal. Depois, ele disse que o PFL e o PSDB precisam dar apoio efetivo ao candidato, que vive uma “situação complexa”. Pois é... Imaginem se todo tucano e se todo pefelista fizesse como ele...

Lula sobre Collor, seu eleitor

Recebi de um leitor este arquivo. Luiz Inácio Lula da Silva fala a um jornalista sobre Fernando Collor. Ganha especial interesse porque o ex-presidente disse ontem que vai votar no petista. Evidentemente, ele não pode proibir ninguém de votar nele. Mas deve saber por que anda despertando certas simpatias. Eu sei: quem tem o apoio formal, político, eleitoral, de Jáder Barbalho, de Newton Cardoso e do bispo Crivella não tem por que sentir certos desconfortos. Trata-se de uma entrevista de rádio. Alguém fez animação com um letreiro. Na televisão, funcionaria mais do que isenção do ICMS da farinha. Fala, Lula: “(...) Como ser humano, eu acho que uma pessoa que teve a oportunidade que aquele cidadão [Collor] teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja..., ao invés de construir um governo, construiu uma quadrilha como ele construiu, me dá pena porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no cérebro de Collor (...) Lamentavelmente, a ganância, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões de e milhões de brasileiros por terra. (...)”. É isso aí. Ouça íntegra clicando aqui

Campanha eleitoral não é tribunal

Qual é? Essa história de que o mensalão não está provado e de que ainda não há a sentença transitado em julgado é pura balela. Eleição não é tribunal. O programa de Alckmin não estava dizendo “O fulano A é um mensaleiro”. Referia-se à existência do mensalão. Quando menos, então, ela seria uma questão de opinião; sendo assim, o que a Justiça tem com isso? Ela vai legislar agora também sobre opiniões? Quando menos, o mensalão se tornou uma realidade política; tornou-se o nome de um escândalo, de um conjunto de práticas condenáveis. Ora, as privatizações, que não são, em si, práticas criminosas (o PT disse que houve crime; eu digo que é mentira: cada um na sua), são vendidas como crimes pelos petistas e pelo PSOL. Quer dizer que os tucanos devem recorrer à Justiça para tirar do ar tal menção? Se os petistas acusarem esta ou aquela personalidades, não tendo provas, vá lá. Mas seria legítimo proibir que se pronunciasse na TV a palavra “privatização”? Estamos nos esquecendo do que é liberdade de crítica.

Genoino, o sem-limites

Sem querer desrespeitar os palhaços, mas prestando tributo a uma metáfora antiga, o Brasil é um circo. José Genoino está em plena campanha para tentar sair do oblívio. Vai visitar o presidente da República, o que, claro, acaba sendo “descoberto”, e, agora, concede entrevista ao jornal Valor Econômico. Faz um mea culpa mais cínico do que o de Doca Street (ver abaixo). Não mata mulheres. Dá tiro na verdade. Ele se penitencia: “Eu devia ter cuidado mais do partido, ter cuidado mais da relação com os movimentos sociais". É mesmo? Quer dizer que, fosse ele mais cuidadoso, estivesse mais próximo dos movimentos sociais, e Delúbio Soares não teria feito a sua parte? Mas não é de Genoino aquela assinatura nos papéis do suposto empréstimo do BMG ao PT? Mas a grande, a monumental picaretagem, está aqui: segundo ele, em vez de mudar as bases institucionais da política, o PT "participou de um sistema com velhos procedimentos". Entenderam? É a velha tese do “fiz como todo mundo”. Ah, não! Quando menos, meu senhor, vocês inovaram no procedimento. Cueca como casa de câmbio era inédito na história da República. E esse escândalo ele conhece muito bem. Foi o que o tirou da presidência do PT. O cuecão milionário era assessor de seu irmão, também da direção nacional do partido. Em sua autobiografia, Entre o Sonho e o Poder, escrita por Denise Paraná, Genoino relata as dificuldades por que passou para explicar à família a existência de uma filha fora do casamento. Diz que não tinha qualquer relação afetiva com a mãe da garota. Entendo. Só escrevo sobre isso porque ele se deu ao desfrute no livro. Voltando: não tinha qualquer relação afetiva... Era, assim, uma “relação não contabilizada”, um caixa dois amoroso... Eles não têm limites.

Angústia da influência

Um leitor me manda uma mensagem e, lá pelas tantas, diz assim: “Se você tiver alguma influência na campanha tucana...” Eu??? Sei que eles me lêem, só isso. Mas estão longe de ser os únicos. Você acha mesmo, amigo, que, se eu tivesse influência, a campanha seria assim? Não sei se daria para ganhar, mas aposto que o barraco iria ser bem mais divertido. O que apontei aqui logo no primeiro dia é que ela estava errada. Depois de quase três semanas, os números das pesquisas — sem exceção — confirmaram o que eu e Ditão de Pinda dizíamos. E, ademais, também já escrevi: ainda que não dê para ganhar, é preciso fazer a coisa certa do ponto de vista político. E a coisa certa é lembrar a natureza do governo Lula. Pô, nem o senador Jorge Bornhausen consegue ter “influência” na campanha...

Eles na TV

Mercadante deixou de lado o seu aerotrem informático, o laptop para todos (ver abaixo), e voltou a falar de segurança. Primeiro, um pouco de terrorismo; depois, algumas “propostas”. Dou o maior apoio ao programa. Acho que a linha está certíssima. Que o petista continue a defender caderneta de poupança para os presos, hehe. Essa eu acho que não foi sugerida por ninguém. É idéia dele mesmo. Afinal, trata-se do mestre em economia que atribuiu o PIB vagabundo do segundo trimestre à Copa do Mundo!

Quércia
Mudou e melhorou o programa do ponto de vista técnico. Logo, em tese ao menos, pior para São Paulo. Captaram? Quando Quércia melhora, São Paulo piora. E ele é um homem que melhorou muito de vida, muitíssimo. Está em óbvia dobradinha com Mercadante. O petista decidiu ser mais soft com os tucanos. A mão pesada fica com o candidato do PMDB. Se um dos dois ganhasse, o outro ajudaria a governar. A cada vez que Quércia aparece na TV, a Nossa Caixa tem um chilique. Pensa na sorte do seu ex-irmão mais rico, o Banespa, que teve ser vendido por R$ 1. Falido. Quércia prometeu ainda rever os contratos com as concessionárias de pedágio se vencer. É uma mentira. A lei proíbe.
Mesmo na bravata, é possível ser honesto. O PMDB foi à rua filmar os marronzinhos para denunciar a existência de uma suposta “indústria de multa”. O golpe é baixo.

Serra
Repetiu o programa sobre os transportes. Sem novidades. Ignora os adversários.

Trem fantasma
Desculpo-me com os milhares de leitores de outros Estados quando a campanha é regional. Não sei como é por aí. Por aqui, a televisão é tomada por um verdadeiro trem fantasma. Está provado: não é verdade que só sobreviveu o Homo sapiens sapiens. Aposto que está havendo uma co-habitação com formas, como direi?, mais rústicas de vida. E eles se reproduzem. Brrrrrr...

Apareceu
Ciro Gomes apareceu dando apoio a Mário Guide, candidato do PSB ao governo. Comentário de uma das minhas filhas, de 11 anos: "Nossa! Esse ainda existe?" Vai longe a garota.

Ibope: eu, Ditão e toda a torcida estamos certos

Porra! É um desabafo. Viram só como o Ditão de Pinda, eu e toda a torcida do Corinthias estávamos certos? O Ibope já começou a refletir os efeitos da propaganda mais agressiva de Alckmin. Por que o óbvio NESTEPAIZ TEM DE GRITADO, ESGOELADO, ESFREGADO NA CARA? Pesquisa Ibope divulgada há pouco no Jornal Nacional indica uma reação do tucano, ao menos na comparação com o levantamento desse instituto há uma semana: passou de 22% para 25%; Lula teria oscilado de 49% para 48%, e Heloísa Helena teria mantido os 9%. No segundo turno, Lula cai de 54% para 51%, e Alckmin cresce de 32% para 36%. Se for assim, em uma semana, houve uma mexida de 7 pontos percentuais no segundo turno. Lula ainda vence no primeiro. Os números se parecem com os do Datafolha no primeiro turno: Lula com 50%, e Alckmin com 27%. Sim, Alckmin começou a bater, e isso já está aparecendo. O único caminho, senhores, é o pior. Mas é também o melhor. Vai dar tempo? Não sei.

A ironia de Cora Rónai

Gente, eu entendi que a pergunta de Cora Rónai a Lula no Globo (ver notas abaixo) foi uma ironia. Não se trata de um petralhismo, como o de Caruso ou Verissimo, ou de uma tontice, como a de Zuenir. Só estou dizendo que ela não funcionou no conjunto da obra, entendem? Boa parte dos leitores do jornal não vai entender. Sim, por aqui, muitas vezes, até piada precisa de tecla SAP. Mas essa ficou um tanto hermética. Cora, que é uma pessoa inteligente, perde a chance de chamar o Apedeuta às falas.

Escárnio

"Waldomiro, mensalão, caixa dois, dinheiro na cueca, sanguessuga, corrupção nos Correios. Ninguém agüenta mais ouvir tanta notícia de corrupção. E o pior é que nós últimos dois anos foi assim, uma notícia atrás da outra. Vários ministros do atual presidente foram denunciados e tiveram que pedir demissão". Esse foi o trecho que Carlos Alberto Menezes Direito (vejam como nome não é destino!), ministro do Tribunal Superior Eleitoral, decidiu vetar na propaganda do tucano Geraldo Alckmin. É um escárnio. Quer dizer que nada disso aconteceu, meu senhor? A oposição está proibida de levar à televisão a denúncia do procurador-geral da República, que apontou a existência de 40 quadrilheiros no país? O PT achou a referência ofensiva? Pelo visto, Direito também. Ofensivos não seriam os fatos? Não houve dólar na cueca? Não houve mensalão? Não há sanguessugas? Eis aí a prova provada do que, de fato, incomoda essa gente. Até quando Alckmin procurou rivalizar com Lula no triunfalismo, o PT assistia a tudo, tranqüilo, da poltrona. Ok, Gonzáles. Faça o seguinte. Elimine o texto. Mostre só as manchetes dos jornais. Ou se vai também censurar a imprensa, senhor Direito?

Ajudem-me a ficar rico

O site Primeira Leitura tinha um link para quem queria me ajudar a fazer fortuna comprando o meu livro. Ele aparece aí do lado de novo a pedido do editor, que está ficando igualmente milionário. Tudo o que eu arrecadar com a venda será doado à ONG CCP — Comando de Caça ao Petralhismo —, uma organização com fins obviamente lucrativos. Sua principal tarefa é impedir a multiplicação da burrice. Para quem não sabe, trata-se de uma coletânea de textos sobre literatura, cinema e política cultural. De política propriamente, sobre o que mais escrevo hoje em dia, não há quase nada, a não ser referências laterais. Todo mundo com juízo fica um tanto envergonhado de ler o que publicou e, se pudesse, voltaria para corrigir. Eu também. Nesse caso, mais ainda, já que se trata de textos que publiquei na imprensa. Mas vá lá. Ainda se defendem. E gente de miolos fez resenhas favoráveis. O próximo será só sobre política.

Uma boa pauta: a mentira dos laptops de Mercadante

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, voltou a enganar o eleitorado no horário gratuito da TV ao prometer um laptop para cada estudante de São Paulo se for eleito. Já digo por quê. Leiam antes o que ele afirmou:

Agora eu quero que você conheça o computador que nós vamos colocar gradativamente nas 1600 escolas do ensino fundamental. Este é o computador também chamado de lap top, custa o equivalente a 220 reais. E foi apresentado no último fórum mundial de Davos, na Suíça e esse computador foi desenvolvido por uma organização mundial sem fins lucrativos, exclusivamente para educar as crianças pobres. Por isso, não vão ser vendidos comercialmente, mas apenas aos governos interessados em utilizá-los nas escolas públicas.Um computador por 220 reais.Veja você, é muito pouco. Um jovem na Febem custa 100 vezes mais, isso mesmo, 22 mil reais por ano. Por isso, o Brasil do governo Lula foi um dos primeiros países a se inscrever para ter o direito a esses computadores. Agora basta negociar com o fabricante. E é isso que nós vamos fazer no primeiro dia do governo. Você que é mãe, você que é pai, sabe como o computador pode ajudar o seu filho. E para países em desenvolvimento como o Brasil o computador é muito mais do que isso é uma janela aberta para o futuro, para o conhecimento.”

Quando é que os jornalistas de política vão conversar com os setoristas de informática para deixar claro que Mercadante está dizendo uma mentira?

Antes, uma informação: o laptop a US$ 100 é um projeto de Nicholas Negroponte, diretor do Media Lab do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Foi desenvolvido para uma ONG chamada OLPC (One Laptop Per Child - ou um laptop por criança). Faça uma pesquisa. Falta tudo ainda. Não se sabe nem mesmo onde os aparelhos seriam produzidos. Mais do que isso: nem a parte técnica está concluída.

No dia 5 de abril deste ano, noticiava o Estadão: “O projeto do laptop de US$ 100, pedra fundamental para os projetos de inclusão digital da organização OLPC, One Laptop Per Child, está enfrentando novas dificuldades. O conceito de um micro portátil e de baixo custo, voltado à inclusão digital em países em desenvolvimento, e que tem o Brasil entre os interessados, ainda não dispõe de uma tela de cristal líquido compatível com os patamares do projeto. Outra dificuldade é que as versões de Linux, sistema operacional de código aberto, não são leves o suficiente para rodar nas máquinas.” (clique aqui para ler mais).

Viram só? Tão logo se resolvam as dificuldades técnicas, aí vem o mais difícil: onde e com que recursos, em que escala de produção e em que tempo eles serão produzidos? Resumo: se Mercadante vencesse as eleições, não entregaria o que prometeu. Só não vai passar por mentiroso porque vai perder. Um leitor lembrou bem: o laptop é o aerotrem do Mercadante.

Com a palavra, o "corno" assassino

Quem está mandando muito bem é a Editora Planeta. Conseguiu uma página da Folha e outra do Estadão, com chamada na primeira em ambos, para o lançamento do livro de um assassino. Doca Street — que matou Ângela Diniz, a “Pantera de Minas” —, agora com 72 anos, faz, literalmente, o Mea Culpa. Li a matéria, primeiro, da edição eletrônica da Folha. Depois vi a versão impressa. Muitas fotos, alguns infográficos e o inevitável sotaque histórico-sociológico: era um tempo, naquele dezembro de 1976, em que havia ditadura militar e se matavam mulheres — uma espécie de Idade Média (ao menos aquela de má fama) da história brasileira. Ufa! Hoje a bala já não tem mais direção: é perdida mesmo. Democraticamente, não distingue a pantera da mulher “honestíssima” (de Nelson Rodrigues) ou do homem e da criança. Chegamos à Luzes. A Folha informa até que, naquele ano, foi inaugurada a Rodovia dos Imigrantes. Bom saber.

Eu tinha 15 anos. Foi um escarcéu danado. Manifestações favoráveis e contrárias a Doca. A frase emblemática de Evandro Lins e Silva, que defendeu o assassino, não aparece em nenhum dos dois jornais: “Era uma mulher que vivia mais na horizontal do que na vertical”. Mas aonde quero chegar? Bem, lida a matéria na Folha, considerei o espaço dado um tanto exagerado, irritei-me com o tal sotaque sociológico. Mas disse a mim mesmo: “Leu até o fim? Então tinha interesse”. O chato foi encontrar, a rigor, a mesma matéria no Estadão, com o mesmo Doca sendo tratado como personagem de um momento do Brasil. E foi nesse jornal que saquei tudo: o próprio assassino, certamente bem instruído, vê-se como um objeto de estudo, como o emblema de uma época. É uma personagem. Mais: essa leitura é parte do marketing da Editora Planeta. Aí as coisas se complicam um pouco.

E se complicam ainda mais porque o seu Mea Culpa é, ralmente, muito interessante. Trincado pelo ciúme, depois de ter abandonado mulher e família, é expulso pela amante. Inconformado, ele diz: “Me abrace pelo amor de Deus. Amo você”. E ela: “Se quiser me dividir com homens e mulheres, pode ficar, corno”. E aí ela arremessa contra ele uma pasta, que, aberta, deu à luz uma arma carregada. E o resto a gente já sabe. Doca está arrependido? Muitíssimo, como se vê... Nesse caso, o jornalismo moderno abre mão de ouvir o “outro lado”. Ângela não pode dizer nada. Interessante: os dois jornais mandaram mulheres para falar com esse homem apaixonado.

O caso é assunto? É. Ainda que fosse uma pauta cavada por um jornalista nos 30 anos da morte de Ângela, o espaço foi generoso demais. O que me incomoda é outra coisa: a absoluta coincidência de leitura, nos dois jornais, do que se passou e se passa no país, em consonância com o marketing editorial e com a personagem que Doca inventou.

O Brasil não mudou tanto assim. Trinta anos depois, o "corno" assassino ainda está com a palavra.

Um gol do jornal O Globo

Está de parabéns o jornal O Globo por ter dedicado uma página de jornal desta sexta às perguntas que Lula não aceita responder. Já escrevi e repito: acho os debates uma fórmula vencida, especialmente no primeiro turno. A legislação acaba obrigando as TVs a convidar alguns pterodáctilos que nada têm a dizer. Mas as sabatinas com os jornalistas são coisa diferente. O jornalismo não é “a” opinião pública. Isso é besteira. Ninguém é. Mas é um dos canais que existem para o homem público prestar contas de seus atos, o que Lula não aceita. O bom da sabatina é que o líder nas pesquisas, como Lula, não precisa servir de escada a ninguém. O Globo faculta o acesso, mas é preciso se cadastrar. É rápido. O novo formato eletrônico do jornal é pouco amistoso. Mas vale a pena ler (clique aqui). A maioria das perguntas era pertinente. Mas o vírus do petralhismo ou da tolice estavam presentes, como se verá. Faço uma síntese abaixo, listando o nome do entrevistador e a questão de que tratou.
QUESTÕES PERTINENTES
Ancelmo Góis –
Atuação fraca no caso da violência urbana
Elio Gaspari – explicações sobre o caso Paulo Okamotto
Merval Pereira – a) quem o traiu?; b) é preciso enfiar a mão na merda?; c) como explica o baixo crescimento?
Tereza Cruvinel – como explica a aliança com notórias reputações?
Jorge Moreno – A mesma questão sobre as alianças “éticas” do PT
Artur Xexéo – por que não vai a debates se dizia antes ser essencial?
Arnaldo Bloch – É certo tentar fazer um apagamento da história do PT?
Miriam Leitão – atuação desastrada no governo do campo: 88O ocupações; 72 mortes
Joaquim Ferreira dos Santos – O que é ética?
Flávia Oliveira – a brutal carga tributária brasileira
Artur Dapieve – como é que Chávez, e não Lula, tornou-se o líder continental?
Paulo Coelho – tropeços do Brasil nos fóruns multilaterais
João Ubaldo – Por que o senhor é melhor? O que entende por “elites”?

BOBAGENS OU PETRALHISMOS
Luís Fernando Veríssimo – Como Lula teria sido muito social-democrata, vai ser mais esquerdista agora? A minha pergunta a Veríssimo: “O senhor vai votar na Heloísa Helena?”
Zuenir Ventura – Lula promete tanta coisa agora, por que não fez antes? A minha pergunta a Zuenir: “De que cor era o cavalo branco de Napoleão?”
Cora Rónai – “O senhor é bom pai?” É uma tentativa de ser engraçada. Foi só desastrada.
Chico Caruso – “O senhor é a favor de cotas raciais?” É a pergunta de um sabotador de entrevistas. É para levantar a bola para Lula cortar. Tanto ele é a favor, que seu governo as implementa. Vá desenhar, Chico.
Fernando Calazans – “Qual sua maior vitória e maior derrota?” Minhas perguntas a Calazans: "Qual é seu ator predileto?"

Acorda, Reinaldo!

Demorei hoje, não? Pois é. Não tenho horários muito convencionais, e, infelizmente, a vida não é só blog. Mas vamos lá. Não sei se o Brasil tem jeito, mas eu continuo cheio de idéias, hehe.

Acabou o fenômeno Loló

Acabei não comentando ontem. Quase tive pena de Heloísa Helena na entrevista concedida ao Jornal da Globo. Se, no Jornal Nacional, ela se saiu bem, o resultado ontem lhe foi catastrófico. Ela teve, enfim, a chance de expor todas as sandices defendidas pelo PSOL. Dentre outras coisas, se eleita, promete fazer um plebiscito para que a população decida se algumas empresas já privatizadas devem ou não ser reestatizadas. Isso, claro, depois de uma auditoria. Tentou recorrer à velha tática discursiva malufista de não responder o que lhe era perguntado, aproveitando para fazer proselitismo. William Waack e Criatiane Pelajo não caíram no truque. “Vai cortar ponto de servidor que fizer greve em serviço essencial?”. Ah, com ela não haverá greves porque a justiça estará no poder. Entendo. Esqueçam. E daí para baixo. Os tucanos e pefelistas podem desistir de apostar no seu avanço para provocar um segundo turno. Sabem o pior de tudo? Ela deve acreditar nas maluquices que diz. Ou teria, no caso do aborto, dado uma resposta de esquerda — logo, cínica. Mas não. Rejeitou o aborto, ao contrário da pregação das feministas e dos esquerdistas. Esses dois particulares — a opinião em si e o destemor com a patrulha — contaram a seu favor no meu tribunal. Logo, a esquerda não deve ter gostado. Pior para Loló. Eu jamais votaria nela. No fim da entrevista, tentou explicar o seu socialismo cristão: é um mundo em que judeus e palestinos convivam pacificamente em vez de jogar pedras uns nos outros. Marxismo cristão com judeus e palestinos já começa por ser uma idéia fora do lugar, hehe. Loló nem deve ser de esquerda. Ou estaria gozando os benefícios do petismo. Ela só é um pouco confusa, coitada. A onda acabou. É disso que tem para menos. Clique aqui para ler íntegra da entrevista

Só se o PT chutar a Santa!

Há uma matéria e um título intrigantes na edição de hoje do Estadão (veja trecho e link). Foi feita, percebe-se, ouvindo aliados de Alckmin. Eis o título: “Falta a PSDB munição para incendiar palheiro”. O tal incêndio é uma alusão ao discurso de FHC no almoço com empresários. Falta munição??? O que mais os oposicionistas querem que o PT faça? Que chute a Santa? Que roube pirulito de criança? Que diga que o Chico Buarque é um vigarista ideológico? Segundo pessoas ouvidas, faltaria um novo escândalo. Tá bom. Tentem negociar um, sei lá, com Humberto Costa, Zé Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, João Paulo Cunha, Marcos Valério, Fabio “Lulinha” da Silva... Não! Podem faltar disposição, clareza, sei lá o quê. Eleição se disputa é com fatos consumados mesmo. É raro um acontecimento explodir no meio de uma campanha a ponto de ter influência decisiva no resultado. Escândalos os há de A a Z. O que faltou, até agora, foi uma estratégia e peito. Levem à TV as conversas telefônicas do PCC expressando suas preferências partidárias para ver. É um escândalo. Não é novo. E 90% dos eleitores ignoram o fato. O PSDB está tomando bala dos bandidos e, mesmo assim, é acusado. Seguem trecho e link. Por Expedito Filho e Rosa Costa: “Levantamento junto a parlamentares tucanos e assessores da campanha do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) mostra que os fatos que o partido tem para apimentar os discursos e o horário eleitoral no rádio e na TV são as mesmíssimas denúncias feitas nas CPIs dos Correios, dos Bingos e do Mensalão. Em resumo, o PSDB não tem munição para 'botar fogo no palheiro' do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como pediu na terça o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para piorar a situação, os candidatos aos governos estaduais, aliados de Alckmin, já informaram à cúpula da campanha que seus eleitores não aprovam as críticas pesadas a Lula.” Clique aqui para ler mais

Proposta de controlar a mídia é da área de Dulci

Há tempos quem lida com as idéias políticas sabe que o ministro Luiz Dulci é mais do que um homem manso, caroável, mineiro, que despacha discretamente no Palácio do Planalto. Ele encarna, no governo, a figura do intelectual gramsciano — não confundir com “intelectual” simplesmente. Se há alguém empenhado na construção do partido como Moderno Príncipe, é ele. Já escrevi isso umas duzentas vezes. Por Paulo Moreira Leite no Estadão desta sexta: “O DNA do documento da campanha de Lula que propõe medidas de pressão sobre a mídia a pretexto de 'democratizar' os meios de comunicação aponta para o gabinete de Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República. Ali despacha o jornalista Fabio Koleski, autor do texto intitulado Comunicação e Democracia. Koleski é um dos principais assessores de Dulci, ministro que é o único sobrevivente do chamado 'núcleo duro'. Ele conta modestamente que 'sistematizou' sugestões de dezenas de militantes do partido, que podem ou não a ser incluídas no programa de governo. O texto sugere, por exemplo, a criação de 'assembléias populares' para a revisão de concessões de rádio e TV; a formação de uma Secretaria de Democratização da Comunicação no Planalto; a distribuição de incentivos oficiais para jornais independentes. São idéias particularmente preocupantes quando se considera que foram alinhavadas por um funcionário do Planalto, com responsabilidades oficiais - e não por um militante de fim de semana.Clique aqui para ler mais

O Orçamento que o Tesouro diz ser insustentável

Como é mesmo? As agências de classificação de risco esperam que o Brasil reduza gastos para que possa, um dia, chegar ao tal “grau de investimento”. Então tá. Gustavo Patu informa na Folha desta sexta: “O projeto de Orçamento para 2007 não dá sinais de que o governo Luiz Inácio Lula da Silva pretenda reverter o afrouxamento da política fiscal promovido neste ano eleitoral. Pelo contrário: os números apontam para mais folga nas contas. Como de praxe, foi previsto um reajuste do salário mínimo equivalente à variação da inflação mais o aumento da renda per capita, o que, em tese, elevaria o valor a R$ 375. Em 2005 e 2006, porém, Lula preferiu a decisão política de conceder reajustes superiores à previsão orçamentária. No texto enviado ontem ao Congresso, confirma-se a tendência observada neste ano e que já foi qualificada de insustentável pela própria Secretaria do Tesouro Nacional: as despesas crescem em taxas superiores às das receitas, a despeito dos sucessivos aumentos da carga tributária.” Clique aqui para ler mais

Genoino e a injustiça: ele não é pior do que Lula

Que é isso, gente? O José Genoino, irmão daquele cujo assessor tinha uma cueca que era uma verdadeira casa de câmbio, visita “de surpresa” o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais e, tudo indica, Infra-Institucionais também) e depois o presidente da República, e a assessoria da Presidência amoitou a informação? Tá vendo, Genoino, o que é o preconceito? Fica até parecendo que a sua moralidade é inferior à do chefe. O encontro se deu anteontem. Não sei do que falaram. Mas não podia ser por telefone. A visita "de surpresa" era uma cascata. Genoino foi lá a convite de Lula, conforme revela o Estadão. Segundo Tarso, o presidente torce para que ele se eleja deputado porque já está pagando por seus erros. Lula é mesmo um cristão abaixo de qualquer suspeita. Clique aqui para ler mais

Faça como Collor: vote em Lulla

Tu te tornas eternamente responsável por aqueles que cativas, Raposão!

A sabatina de Serra

Avaliem vocês mesmos, mas me parece que o tucano José Serra, candidato ao governo de São Paulo, saiu-se muito bem na sabatina promovida pela Folha. Tão bem, que a coisa mais apimentada que o jornal encontrou para abrir a entrevista foi a declaração de que ele vai mudar todo o secretariado, o que se tentou entender como a demissão do secretário de Segurança, Saulo de Castro Abreu, cuja atuação para a redução do crime, que é real, ele elogiou. Ora, nada mais natural do que um novo governante mudar o quadro de auxiliares. O tucano foi indagado sobre a presença em debates. A resposta não poderia ter sido mais exata: enquanto o "petista-mor" [Lula] não for a debates, não poderá ser cobrado pelos adversários. É isso. O petismo está acostumado a não facultar a adversários aquilo que deles exige, e os adversários estão acostumados a ceder. O ponto é este: Lula tenha a coragem de ir a um debate aberto, e o PT terá legitimidade para cobrar a presença de Serra. Sem isso, é só descaramento. Um político que se respeita também não sai correndo atrás da opinião pública, feito cachorro latindo para caminhão de mudança. Ele se disse contrário à presença do Exército para combater o crime e lembrou que a própria Força não quer. Apoiou a recusa do governador Cláudio Lembo. Louvo a sua coragem de se opor à maioria da opinião pública nesse caso, conforme aponta pesquisa, mas discordo. No ambiente da guerra eleitoreira, também me opus ao Exército na rua. Fora dele, acho que as Forças Armadas poderiam e podem atuar para devolver aos brasileiros territórios hoje tomados pelo narcotráfico. Foi a sabatina de quem tem uma maioria confortável. Clique aqui para ler mais