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Reinaldo Azevedo
"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem" — Robert Musil em "O Homem sem Qualidades"

Sábado, Setembro 09, 2006

Eles na TV: é só bater direito, que eles gritam

Como é mesmo? O PT não responderia a ataques? Não responde só quando não dói. Se doer, dá até resposta preventiva, a exemplo do que fez no horário eleitoral deste sábado. Sabendo que Geraldo Alckmin havia ido à BR 316, no trecho que passa pelo Maranhão, onde o Jornal Nacional havia acabado de constatar a lástima, o partido de Lula acusou a “demagogia” do adversário antes mesmo que o programa do tucano fosse ao ar. Até ali, Lula seguia o padrão “Brasil Grande” da ditadura militar. Lula não faz campanha, mas ameaça: se ele não for reeleito, nada do que está em curso continua. E isso o TSE deve achar normal e parte da liberdade de expressão. Mas não se pode dizer que os mensaleiros eram da turma de Lula...

A ameaça tem como alvo os beneficiários do Bolsa Família. É uma chantagem com os miseráveis. Inventaram ainda uma outra maneira de mentir menos: jogam o número de obras do governo nas alturas e dizem que elas foram ou “estão sendo” realizadas. Bem, “estão sendo” é pau para toda obra, certo? É o caso da Universidade Federal do ABC. Passei em frente ao terreno agora há pouco. “Está sendo realizada”... Trata-se de um terreno que pertencia à Garagem Municipal, em Santo André. Sempre foi murado. A obra “está sendo” feita? Sim. Já pintaram uma placa dizendo que ali será a universidade um dia. O programa de Lula também atribui a ele a auto-suficiência de petróleo. No dia em que vem à luz a matéria da Veja que demonstra que dinheiro público imprimiu material de propaganda do partido, Lula promete “continuar o combate à corrupção”. Fazer o quê? Segundo o Datafolha, 44% dizem que ele é o mais preparado para governar o Brasil. Lula se considera ungido. Preparado? Nem ele ousaria tanto...

Alckmin
O PSDB soube aproveitar direito o descalabro da BR 316, uma das rodovias federais em petição de miséria. O bilionário programa tapa-buraco de Lula, obviamente, não dá conta de casos como o mostrado tanto no JN como no programa de Alckmin. Ali, não é possível maquiar a realidade. Alckmin estava na estrada, com jeans, no meio do povo. Funcionou. Aliás, sempre que o programa avança no pescoço de Lula, a coisa funciona.

Houve outras críticas, aí mais genéricas e mais leves. Eu realmente tenho curiosidade de saber como o grande público, até mesmo os beneficiários do Bolsa Miséria, reagiriam ao caso Lulinha, o agora milionário dono da Gamecorp. A Telemar, de que o BNDES (banco público) é sócio, fez um negócio de pai para filho com o rapaz. Só que ele é filho de Lula, não da Telemar...

Bem, de todo modo, o programa de Alckmin teve pegada, Mas poderia ter sido bem mais duro. Ademais, a gente viu: quando o soco pega no fígado, eles reagem.

Duas coisinhas

Duas coisas rápidas, que tenho de sair. Alguns me perguntam cadê a história do passarinho... É isso. Já não damos mais bola para escândalos de R$ 11 milhões. Ficamos muito exigentes em matéria de corrupção...
Cinema – Mais violentos que os petralhas é a patrulha, como diria Cacá Diegues, do cinema nacional. Já há gente revoltadinha com o meu texto na Veja sobre O Maior Amor do Mundo. “Com tanta gente competente, foram chamar logo você?” Pois é...

Por que o Brasil não cresce?

Deveria ter postado antes, mas as idéias do texto não envelhecem, mesmo com atraso. Há um artigo importante hoje no Estadão assinado pelos economistas José Roberto Mendonça de Barros, Luiz Carlos Mendonça de Barros e Paulo Pereira Miguel. Eles se propõem a começar a responder a questão que está logo no título: “Por que o Brasil não cresce?” Sem dúvida, esta será a questão posta daqui para a frente para o Brasil, especialmente em face de uma provável — de fato, já em curso — mudança no cenário externo. Afinal, os únicos satisfeitos com o crescimento brasileiro parecem ser o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega. Bem, melhor ler quem entende de economia. Seguem um trecho do artigo e link:
“O resultado decepcionante do produto interno bruto (PIB) do segundo trimestre plantou a semente da dúvida a respeito das condições de crescimento da economia brasileira, mesmo sob condições aparentemente favoráveis. Não apenas o Brasil está muito atrás dos outros países ‘emergentes’, mas estamos passando a vergonha de crescer menos que a Europa e o Japão. Os mais otimistas - e certamente o governo, a portas fechadas - estão tentando achar explicações para tão fraco desempenho. Afinal, estão dadas muitas das condições consideradas necessárias para um crescimento maior e mais consistente que o dos últimos anos. São elas, entre outras: um forte ajuste das contas externas, a queda do risco País, a convergência da inflação para as metas, alguma redução na taxa de juros real - embora ainda alta sob qualquer critério - e a manutenção de um superávit primário suficiente para estabilizar a relação dívida/PIB. Há ainda uma combinação de estímulos conjunturais importantes, que em outras situações seria suficiente para retirar a economia da letargia: o crescimento mundial acima de 4% ao ano e a acelerada expansão do crédito e dos gastos públicos. (...)
Por que o Brasil não cresce? O ponto de partida da explicação é a simples constatação de que o País não investe o suficiente. Há problemas sérios tanto na política macroeconômica quanto nos mal compreendidos ‘fatores microeconômicos’.No que se refere à questão macroeconômica, não há dúvida que a combinação atual das políticas fiscal, monetária e cambial está errada e resulta em baixo crescimento. Os gastos públicos estão na raiz da questão: sua contínua expansão compromete a eficiência da economia, pois, financiada por uma alta e crescente carga tributária, contribui para os juros altos e o câmbio valorizado. O resultado é a crescente asfixia do investimento privado. (...)
(...) O mundo certamente vai desacelerar em 2007, principalmente os Estados Unidos. A China tem galgado novos níveis de sofisticação industrial e está competindo com países intermediários, como o Brasil, em todos os mercados. Em 2007, não tenhamos dúvidas, tudo o que os chineses não venderem aos Estados Unidos será direcionado para mercados como o brasileiro. O vazamento da demanda interna para o exterior será então ainda maior.”
Para ler a íntegra, clique aqui

Veja 5 - Escrevo sobre "O Maior Amor do Mundo"

Taís Araújo (Luciana) e José Wilker (Antônio) no filme O Maior Amor do Mundo, de Cacá Diegues
Na Veja desta semana, escrevo sobre o filme O Maior Amor do Mundo, de Cacá Diegues, que estreou na quinta-feira. Seguem trechos e link: “O filme (...) prova que, ‘nestepaiz’, só o individualismo é mais pecaminoso do que o lucro. A idéia de que o indivíduo é responsável por seus atos ofende os órfãos pidões, tutelados pelo Estado. No filme, o astrofísico Antonio (José Wilker), de volta ao Brasil depois de fazer carreira nos Estados Unidos, visita o pai adotivo num asilo e obtém pistas de sua mãe verdadeira. O útero é metáfora da pátria. Ele está com câncer e quer unir as duas pontas da vida. Na busca, o racionalista e um tanto apatetado Antonio se apaixona pela suburbana sensual Luciana (Taís Araújo). O clichê celebra sua vitória (...). Não se denunciam mazelas, a exemplo do que fazia o antigo Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes. Elas são antes uma verdade afirmativa. O CPC cantava ‘feio não é bonito’, ‘o morro existe, mas pede para se acabar’. Hoje, o morro reivindica identidade. Uma certa Central Única das Favelas (Cufa) fornece mão-de-obra e metafísica a Diegues. Queremos ser conscientizados pelo oprimido. No livro Genealogia da Moral, o filósofo alemão Nietzsche vê no servo que reivindica o direito de falar como servo o fim da civilização.” Clique aqui para ler mais

Veja 4 - Diogo: previsões certas que deram errado

Lula vai perder em 2006 porque o PT será identificado como o partido que desvia verbas para financiar campanhas eleitorais. Que persegue a imprensa. Que segue a tradição coronelista de distribuir esmolas em troca de votos. Que compra o apoio de outros partidos com malas cheias de dinheiro. Que se alia desavergonhadamente a políticos que sempre combateu. Que dá carta branca a seu tesoureiro em reuniões ministeriais. Que protege os amigos do presidente.” Esse era Digo Mainardi em novembro de 2004, antes de estourar o caso do mensalão. Depois Roberto Jefferson contou tudo, em junho de 2005, e Diogo virou o “Oráculo de Ipanema” . Ele continua: “No ano passado, quando Lula parecia morto, cobri-me de glória. Os devotos vinham depositar oferendas na porta de casa”. Mas Lula está de pé, e o colunista segue: “Chegou a hora das pedradas. Podem atirar. Eu fico parado. Ui! Ai!”. É... A razão por que Diogo errou acertando tanto é um relato da nossa miséria. Clique aqui para ler íntegra

Veja 3 - A cláusula de barreira

A Veja traz uma boa e didática reportagem sobre a cláusula de barreira e explica por que podem restar de quatro a cinco partidos no Brasil — felizmente! Por Marcelo Carneiro: “A eleição deste ano para a Câmara dos Deputados terá um impacto inédito no cenário político brasileiro. Pela primeira vez entrará em vigor a cláusula de barreira – dispositivo criado por lei em 1995 com a finalidade de garantir que os partidos que disputam as eleições tenham um mínimo de representatividade. Para isso, a nova regra estabelece, entre outras coisas, que: 1) só terão direito a representação na Câmara os partidos que conquistarem, pelo menos, 5% do total de votos válidos na eleição para deputado federal – hoje, esse índice é de 2% –; e 2) as legendas terão de eleger representantes em pelo menos nove estados, com um mínimo de 2% de votos em cada estado. Os partidos que não conseguirem cumprir essas exigências perderão o acesso a dois instrumentos fundamentais para a sua sobrevivência: tempo na propaganda gratuita de rádio e TV e dinheiro do fundo partidário, recurso que sai dos cofres públicos. Pela lei, as siglas que não obtiverem os 5% de votos exigidos terão direito a menos de 1% do dinheiro do fundo. Pelos parâmetros de hoje, isso daria algo em torno de 55.000 reais por ano para cada agremiação. Partido nenhum sobrevive com tão pouco. (...) Nas últimas eleições para a Câmara, em 2002, apenas sete dos dezenove partidos que elegeram deputados conseguiram atingir o mínimo de 5% dos votos válidos. Se a cláusula de barreira já estivesse em vigor naquela ocasião, partidos como PSB, PDT, PPS e PCdoB estariam hoje no limbo. Para as próximas eleições, analistas políticos afirmam que apenas quatro partidos – PMDB, PT, PSDB e PFL – estão, seguramente, a salvo da guilhotina da cláusula. Quanto aos outros 25 partidos com registro no Tribunal Superior Eleitoral, seu destino é incertoClique aqui para ler mais

Veja 2 - A roubada petista do fim do voto secreto

Confiem no Tio Rei, hehe. Lembram-se que, logo de cara, nos primeiros minutos, alertei aqui para o fato de que a história do fim do voto secreto — exceção feita para as cassações — era uma roubada? Não fosse, não estaria sendo patrocinado pelo PT. Acho que a ficha de todo mundo já caiu. Vejam trecho de matéria na Veja, de Otavio Cabral: “Até na hora em que tudo se encaminha para fazer o certo a Câmara dos Deputados consegue errar. Na semana passada, com um placar de maioria arrebatadora – 383 votos a favor, nenhum voto contra e 4 abstenções –, os deputados aprovaram o fim do voto secreto para qualquer votação. A idéia inicial, acertada entre os líderes de todos os partidos, era acabar com o anonimato apenas em cassações de parlamentares, pois há um consenso de que o sigilo do voto ajudou enormemente a produzir a escandalosa safra de absolvições de mensaleiros. Seria uma medida saneadora. Talvez dificultasse o festival de impunidade e teria ainda a vantagem de o eleitor ficar conhecendo o voto de seu deputado. Na última hora, porém, a bancada governista entrou em ação e conseguiu fechar um acordo para acabar com o voto secreto para toda e qualquer votação. Assim, na eleição da direção da Câmara, na apreciação de um veto presidencial, na indicação de um embaixador ou ministro do Supremo Tribunal Federal, as votações seriam abertas. Na aparência, é uma iniciativa positiva, que radicaliza a democracia no Parlamento e atende aos anseios da opinião pública, que repudia as absolvições em série. No fundo, é uma armadilha. Estabelecido na Constituição de 1824 para a análise das nomeações do imperador aos tribunais e ampliado mais tarde para uma vasta gama de matérias, o voto secreto não é um mal em si. Há situações em que está a serviço da independência e da liberdade do parlamentar. 'O voto secreto é uma garantia histórica do Parlamento ante o poder central', diz o cientista político e historiador Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília (UnB)." Clique aqui para ler mais

Veja 1 - Escândalo: você, leitor, pagou cartilha usada pelo PT para fazer propaganda de Lula; ministro do TCU tenta barrar divulgação do caso


Escândalo não falta. Ele está aí. A questão, como diria aquele passarinho da madrugada, é o que se vai fazer com ele. Márcio Aith, da Veja, conta uma história cabelula envolvendo o governo Lula, o PT e, vá lá, modestos (para os padrões petistas) R$ 11 milhões. É de estarrecer. Para resumir, o caso é o seguinte: o TCU notou que faltava à Secretaria de Comunicação (Secom), aquela então comandada por Luiz Gushiken, comprovar ao menos R$ 11 milhões dos gastos anunciados. Havia suspeita de superfaturamento em serviço. Descobriu-se coisa pior. O governo mandou imprimir 5 milhões cartilhas sobre as maravilhas do governo Lula. Não havia prova da entrega de pelo 2 milhões delas, totalizando aquele dinheiro. A Secom, muito decente, provou que não era um caso de superfaturamento. É que o material foi parar diretamente nas mãos do PT, o que o partido admite. Sim, vocês entenderam: o governo encomendou o material, pago com o seu dinheiro, leitor, e entregou para o partido começar a fazer campanha. O que os petistas dizem? Que fizeram isso para economizar dinheiro público; assim, dizem, poupou-se o custo da distribuição. O escândalo parou aí? Não. Agora ele se volta para o próprio TCU. Leiam o que relata Márcio Aith: “O ministro Ubiratan Aguiar, relator do caso, distribuiu seu voto aos demais ministros na terça-feira passada. Nele diz, em resumo, que a explicação oficial tornou o caso ainda mais problemático. Aguiar considera que houve uma inadmissível confusão entre os interesses do governo e os de um partido político que não vem a ser uma agremiação qualquer, mas o PT, que dá sustentação política ao atual governo e por cuja legenda o presidente da República concorre a um segundo mandato. De acordo com Aguiar, o fato de o processo referir-se a material gráfico de propaganda é outra agravante, uma vez que é tênue a linha que separa a publicidade do Estado da simples propaganda eleitoral. (...) Aguiar pediu a abertura de um processo de tomada de contas especial para apurar o fato, ouvir a versão dos envolvidos e aclarar o papel que tiveram no episódio o ex-ministro Luiz Gushiken, que comandava a Secom, e os publicitários contratados pelo governo. O relatório de Aguiar não foi votado ainda pelo plenário. Outro ministro do TCU, Marcos Vilaça, pediu vistas do processo, o que atrasará o julgamento. Antes de pedir vistas, o ministro Vilaça tentou convencer seu colega Aguiar a suavizar o relatório. O pedido foi rechaçado. Vilaça pediu, então, ao ministro relator que retardasse a divulgação de seu voto e a deixasse para depois das eleições. Outra negativa. Vilaça, então, obteve a ajuda de outros ministros para barrar a publicação do voto de Ubiratan Aguiar no Diário Oficial. Pendengas entre ministros do TCU são comuns. O que é incomum, no caso, é um dos ministros, Marcos Vilaça, trabalhar não para aclarar as coisas, mas para tentar influir no voto de um colega e conseguir que seu conteúdo seja censurado. Clique aqui para ler mais

Tou ficando bom nisso...

Viram só? Lancei aqui a candidatura de FHC à Presidência do PSDB (nota postada às 15h54 de ontem), e não é que existe mesmo uma movimentação política neste sentido? Tanto melhor assim. Vejam a nota que abre o Painel da Folha neste sábado: “Sob a espuma criada pelo manifesto de Fernando Henrique Cardoso aos eleitores do PSDB existe um movimento para transformá-lo em presidente do partido no período que, a julgar pelo previsto nas pesquisas, deverá coincidir com o início do segundo mandato de Lula. A solução FHC é vista como resposta ao medo de desagregação da sigla pós-derrota eleitoral e da exploração a ser feita, por Lula e pelo PMDB, da disputa anunciada entre Aécio Neves e José Serra pela vaga tucana na sucessão de 2010.Geraldo Alckmin gostaria de ficar com a presidência do PSDB caso não consiga conquistar a da República. Mas os prováveis vitoriosos deste ano não têm nenhum motivo para lhe dar tamanho presente.” Clique aqui para ler íntegra do Painel

Escrevendo com as orelhas

Vai voar, coelhinho?
Não há mais dúvida: FHC marcou um golaço ao escrever a tal carta. Tanto que o articulista Marcelo Coelho, da Folha, não gostou. Sempre que ele deixa de lado suas atividades de babá para pensar política, o céu da razão obscurece. As pessoas são livres para opinar, felizmente. Até Coelho. Pode-se fazê-lo com ou sem inteligência. O articulista começa falando uma inverdade ao dizer que FHC, dia desses, lamentou a falta de Carlos Lacerda. Não lamentou. O ex-presidente usou o político como exemplo de crispação retórica. Aliás, a Folha fica devendo um “erramos”. Basta ler o jornal do dia para ver que o contexto não era de endosso a Lacerda. Coelho diz que a carta é constrangedora. Constrangedora é a mentira. O pior é que, me contam, ele não cuida de criança melhor do que pensa. Depois, evoca a famosa frase que o tucano nunca disse: “Esqueçam o que eu escrevi” e afirma que, talvez, fosse boa idéia. Ele não conhece a obra de FHC. Se conhecesse, saberia que não há motivo para esquecer nada. A sua obra intelectual é compatível com sua obra política. Eu topo provar isso para Coelho num debate livro sobre livro. Mas ele não vai porque estará lendo Harry Potter para seu filhinho de 4 anos, conforme, me dizem, tem narrado em seu blog. O garoto ainda não lê sozinho? Desse jeito, não será o primeiro de Hogwarts. Outros vão aprender a voar primeiro. E, claro, o texto não faria jus às orelhas se não terminasse afirmando que todo mundo é igual. É claro que nada do que vem dessa pena me estranha. Esse é o rapaz que disse, certa feita, que Anatole France escreveu que o direito de dormir debaixo da ponte era o único que igualava ricos e pobres. Anatole France, é claro, nunca escreveu isso. Quer ler a íntegra, leia

TSE proíbe campanha da Petrobras

Por Silvana de Freitas, na Folha deste sábado: “Uma liminar do ministro do Tribunal Superior Eleitoral Cesar Asfor Rocha proibiu a veiculação da campanha da Petrobras sobre o biodiesel, que estava no ar desde o dia 2 deste mês. Corregedor-geral eleitoral, o ministro também mandou notificar Luiz Inácio Lula da Silva para que ele apresente defesa sobre um pedido de abertura de investigação contra ele por abuso de poder político (uso da máquina administrativa). Relator de uma representação de Geraldo Alckmin, contra a propaganda da Petrobras, o ministro considerou que a estatal promovia de forma indevida a candidatura de Lula. O próprio presidente explorou o tema do biodiesel no seu horário eleitoral nos dias 29 e 30 de agosto e 5 de setembro.Em tese, a investigação judicial por abuso de poder político, se aberta, pode resultar na condenação de Lula à perda de novo mandato se ficar comprovado que a publicidade teve o potencial de garantir sua vitória." Clique aqui para ler mais

Jornalismo busca crise, e Alckmin, estrada

Onde há solução, uma parte do jornalismo está querendo ver problema. Ontem, a ordem do dia era decretar uma crise na campanha de Geraldo Alckmin por causa da carta de FHC (ver abaixo). O candidato tucano à Presidência tinha agendado uma visita a cidades do ABC paulista em companhia de José Serra, candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB. Cancelou. Logo surgiram as especulações. A crise era tão grave, tão grave, que ele tinha até suspendido a sua agenda. Bobagem. Ele estava metido numa complicada operação para tentar chegar junto com a caravana da TV Globo um trecho intransitável da BR 316, no interior do Maranhão. José Alberto Bombig conta a história na Folha de hoje. Clique aqui para ler mais

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

Lula no RS e um pouco de Latim para ele

Depois de ter comparado a oposição aos nazistas na conversa com evangélicos, o Apedeuta afirmou, em comício em Santa Maria (RS), que os seus adversários só ganham as eleições se mudarem o povo. Segundo ele, está faltando pouco para que isso seja dito. Huuummm... Não seria assim uma idéia tão má. É uma pena que não seja possível, hehe. Mas eis aí o Lulinha Paz e Amor que planta aqui e ali que pretende fazer um governo de conciliação nacional. A cada vez que Lula abre a boca, a carta de FHC mais e mais se justifica. Como também se evidencia a covardia de setores de oposição. Lula sataniza um dos primados básicos da democracia: quem se opõe a ele não pensa diferente dele: é contra o povo. E, claro, “nazistas” são os outros. Disse ainda ser uma “pedra no sapato deles”. “Deles” quem, cara pálida? Com certeza não é daqueles que lucram com os juros reais mais altos do mundo, não é mesmo? Em parte, é verdade, esses juros são pagos com a sua ignorância de causa. Qualquer conversa com alguma tecnicalidade dá um beiço no homem. “Pedra no sapato”, aliás, é uma expressão bem interessante. Vamos brincar de etimologia, leitor amigo? Vocês sabiam que a palavra “escrúpulo” deriva da palavra latina “scrupulum” (ou “scripulum” ou, ainda, “scrupulus”)? Sabe o que era? Uma pedra pequena. Era a pedra pequena que entrava na sandália do romano e ficava incomodando. Tio Rei está lembrando das aulas de Latim... Os substantivos abstratos do Latim têm quase sempre uma origem bem material. Por metáfora, o “escrúpulo” é, então, algo que incomoda, um impedimento, um limite. É verdade: a origem de Lula fez com que as oposições o vissem com “scrupulum”, uma pedrinha na sandália. Foi uma bobagem, claro. Já disse que ele toma Black Label desde 1980. Tanto escrúpulo com Lula fez com que ele próprio não tivesse escrúpulo nenhum.

Documento histórico. Magister dixit

Há mais ainda sobre a carta. Justamente porque dá um caminho para o principal partido de oposição — ou a briga será dura —, o texto tem importância histórica. Em primeiro lugar, porque é o mais duro, contundente e lúcido texto a descrever o que é o governo Lula; em segundo lugar, mas não menos importante, porque não teme ferir suscetibilidades e chamar de diferença o que, vejam só..., é diferente. Tenho alguns queridos amigos, que prezo demais, que acham psicanálise uma besteira, um truque, quase uma feitiçaria. Eu não acho. Hoje menos, mas já fui um leitor aplicado, compulsivo até, do velho do charuto. O que vou falar a seguir pode parecer banal, mas quem passou pela experiência sabe. Há coisas que nos cercam que conhecemos plenamente, que fazem parte até da nossa rotina, que têm importância basilar nas nossas vidas, mas para as quais não damos a mínima. No processo analítico, devidamente contextualizadas e a depender da cadeia de eventos em que se inserem, iluminam o nosso entendimento sobre o conjunto da obra (no caso, a nossa vida privada). O que faço acima é tentar traduzir o sentido da palavra “insight” no processo analítico. Não se trata de nenhuma grande revelação, de nenhum achado extraordinário, de nenhuma lembrança ou descoberta que nos deixa estupidificados, nada disso. Isso, que é tão pessoal, que se estabelece na relação do indivíduo com o seu analista, pode ser percebido também nos processos sociais. Porra, amiguinhos! O PSDB consegue ver o governo FHC — que é o governo do partido — ser satanizado e se mostra incapaz de defendê-lo!? Os tucanos não conseguem demonstrar, por exemplo, o bem que a privatização da Telebrás fez a todos nós? Permite que continue essa pregação botocuda, ordinária, indigna, contra as privatizações? Não houve no mundo expansão dos serviços de telefonia — e isso é cidadania — na dimensão em que houve no Brasil. E, no entanto, esses pterodáctilos vão à televisão exercitar a sua glossolalia vagabunda. O que é que há? Tem de cair a ficha. Hora do insight. Ou essa gente que vá plantar batatas. Se for assim, antes de voltar ao Planalto, que o PSDB se descubra — ou redescubra — na planície. FHC chamou para si a responsabilidade. E fez muito bem. Estava começando a haver pusilanimidade de sobra à volta. Fez mal para Alckmin? Muito ao contrário. Fez um bem enorme. Quando menos, lembrou a ele e aos demais que há uma história nisso tudo a ser respeitada. Magister dixit.

FHC blinda PSDB de cooptação. Ou haverá racha

Os petistas estão dizendo por aí que a carta de FHC acabou sendo um tiro no pé porque ruim para o próprio Alckmin. É uma besteira. Seu efeito eleitoral é praticamente igual a zero. O candidato tucano precisa é do grande eleitorado, aquele que nem jornal lê. Não vai nem ficar sabendo desta carta. Diante dela, não a leria inteira. A questão é outra. Reitero: o alvo é muito mais o público interno. Sim, dá um puxão de orelha nos tucanos que se mostram incapazes de defender a herança virtuosa de seu mandato — e ela existe —, mas isso é o de menos. A indagação que ele faz é outra: “Afinal de contas, vocês querem o quê? Qual Brasil?” Isso, sim, é relevante. E se apresenta para a briga. Poderia tê-lo feito antes? Talvez. Mas antes agora do que mais tarde. O que ele está fazendo é demarcando terreno. Nenhum aventureiro vai enfiar a mão do partido e levá-lo para uma linha de apoio branco ao governo Lula caso este seja mesmo reeleito, como tudo indica. Depois dessa carta — e é preciso entender isto —, o ex-presidente acena, quando menos, com um racha. Entenderam o peso do negócio? A carta cria uma impossibilidade prática de apoio do PSDB a Lula, ainda que informal. Porque ela irá reverberar sempre. E quem quiser apoiar terá de a) deixar o partido; b) abrir uma frente interna de disputa e medir forças. O texto também tem peso histórico. (ver nota acima). Tiro no pé, nada. É um compromisso com o futuro.

Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho...

O passarinho sumiu. Ou levou uma estilingada ou só voa mais tarde. Pena... Sejam pacientes.

Sobre o voto nulo, um esclarecimento

Ops! Percebi que está havendo uma confusão aí. Eu não defendo voto nulo como princípio. De maneira nenhuma! Eu sempre defenderei, não havendo saída, o mal menor. Essa é a minha moralidade, é a minha escolha. Como tal, acho que o mundo seria melhor se todos fizessem assim. Mas isso não quer dizer que eu ache antidemocrático ou absurdo quem anula o seu voto. Penso que é uma opção, como qualquer outra. Em 2000, eu votei em Marta Suplicy contra Paulo Maluf. E me arrependi. Entenderam? É absolutamente legítimo, num caso como esse citado, não escolher ninguém. Entre Lula e Geraldo Alckmin, é evidente que só há uma coisa responsável a fazer se você não é petista, pouco importa se gosta ou não dos tucanos ou desse tucano em particular. Mas vamos pensar uma situação extrema: digamos que Heloísa Helena disputasse o segundo turno com Lula. Votar no Apedeuta? Eu? Não voto. Tampouco nela. Isso eu deixo para o Ziraldo. Então não tem essa de satanizar o voto nulo, nem mesmo sob o pretexto de que acaba beneficiando quem está na frente. Uma avalanche de votos nulos, a depender do pleito, também é uma manifestação de protesto. “Ah, é um protesto idiota”. Não é, não. Pode ser um bom recado às elites políticas. Já não faz sentido o voto ser obrigatório. Você não pode ser obrigado a atravessar a rua se não quiser. Mesmo que seja para o seu bem, ora essa. Levemos a situação ao extremo: faz sentido aprovar uma lei contra o suicídio? Ora...

"Por que Mercadante sussurra? Ele acha sexy?"

Outro dia alguém me censurou aqui porque minhas filhas assistem ao horário eleitoral gratuito. Não obrigo, claro, mas estimulo. Acho que faz parte da educação política. Não tenho mais saco para comentar os programas para ser sincero. Hoje, registro a observação de uma delas, de 11 anos (exploração de trabalho infantil): “Por que o Mercadante fala sussurrando? Será que ele acha qu é sexy?”. Matou. O “gatoso” (gato idoso) deve achar que sim. E ele é um pouco burro também. Aquela mocinha que é locutora do seu programa, com ar indignado e infeliz, pergunta: “Quem você acha que tem mais condições de conseguir verbas do governo Lula? Serra ou Mercadante?” Repete-se a mesma chantagem que tentaram fazer contra o mesmo Serra na disputa com Marta pela Prefeitura. O eleitor deu a resposta nas urnas. Sem contar que o petista já dá de barato que o presidente está reeleito, o que nem o próprio faz por uma questão, vá lá, de decoro (o que lhe resta). Vocês podem não acreditar, mas conheço muitos petistas. A maioria detesta Mercadante. Agora sei por quê.

Números do Ibope

Segundo o Ibope, o tucano Geraldo Alckmin melhorou um pouquinho, ainda que dentro da margem de erro, em relação ao levantamento de há uma semana: oscilou de 25% para 27% dos votos. O mesmo percentual indicado pelo Datafolha. Lula aparece com 48% das intenções de voto, o mesmo número da semana passada. No Datafolha, tem 51%. O petista continua a vencer no primeiro turno. Num eventual segundo, o tucano fica com os mesmos 37% do Datafolha; Lula, com 51% (no Datafolha, 55%). Há uma discreta e continua subida de Alckmin no Ibope. No dia 18 de agosto, tinha 21%; passou para 22% no dia 27; para 25% em 1º de setembro e agora está com 27%.

Não é o Big One...


Também não fiquem esperando o Big One. Este já aconteceu: quando Duda Mendonça confessou que recebeu dinheiro em moeda estrangeira, por meio do caixa dois, depositado no exterior, para fazer a campanha de Lula. E ainda afirmou que a de Mercadante para o Senado saiu no xixi. Ambas foram feitas com a mesma grana. E a oposição fez o quê? Nada! Dias depois, ficou puxando o saco de Antonio Palocci no Senado. Esse é um dos motivos da autocrítica que FHC faz agora, o que todo tucano com vergonha no bico deveria endossar. Algo tão forte igual não acontece nunca mais. O dólar na cueca desmoraliza, mas não tem essa força. O que quero dizer com isso? “É a política, estúpido”. Pode-se transformar uma bomba H em pó de traque, como o PSDB e o PFL fizeram com o depoimento de Duda Mendonça, e pó de traque, em bomba H, como o PT fez com o caso Azeredo. É tudo uma questão de competência política. Faz bem uns três anos que digo isto — quem sabe a tese emplaque nos próximos cinco: o PSDB e o PFL precisam criar o que nunca tiveram: um setor de Inteligência. Em vez disso, os dois partidos passaram três anos adulando Palocci com medo de que, sem ele, o PT pudesse ser fiscalmente irresponsável. A feitiçaria chegou a tal grau, que tucanos, comandados por Tasso, acusavam o PT de tentar desestabilizar Palocci... Aquilo deu nisso.

Uma pergunta, uma resposta

Gosto de questões interessantes. Um internauta me pergunta: “Se você fosse mineiro, em quem votaria para governador?” Ora, em Aécio Neves, é claro. Acho que ele é e pode continuar a ser um bom governador de Minas Gerais.

PT junto com PSDB-MG contra carta de FHC

A violenta reação dos petistas à carta de FHC, a começar do meu soviético predileto, Ricardo Berzoniev, só demonstra o acerto da iniciativa. O PT não tem de gostar mesmo. Afinal, o ex-presidente tocou na questão que realmente enfurece os petistas: a roubalheira. Berzoniev se refere àqueles que seriam os muitos casos de corrupção do governo do tucano. Por que o seu governo, com a Polícia Federal de que tanto Lula se orgulha, não manda investigar? Em vez disso, a PF está metida em duas apurações — se é vai concluí-las: uma diz respeito a Antonio Palocci, e outra, a Humberto Costa, dois ex-ministros do primeiro escalão do governo. Pronto: já sabemos quem, além do PSDB de Minas, rejeita a carta: o comando do PT.

Ele de novo


Vejam só. Os passarinhos deveriam estar dormindo. Mas apareceu aquele mesmo da madrugada. Ele me diz que a temperatura sobe um pouco, talvez já amanhã. “Mas muda o rumo das coisas?” E ele me vem com aquele irritante “Isso depende de vocês”. E ainda tira uma casquinha: “Moral de passarinho é menos elástica...”

Petralhada parece chinoca em festa de casamento

Como se diz no Rio Grande, a petralhada tá mais assanhada que chinoca em festa de casamento ou lambari de sanga. Podem desistir. Hoje, para aparecer, vai ter de ser muito criativo na ofensa. Petralhada com raciocínio mais curto do que coice de porco eu não aceito. Esses caras não foram passear, não? Achei que aproveitariam o feriado para fazer um retiro espiritual sob a coordenação de Frei Betti...

Uma parte do PSDB critica carta: o de Minas...

Quem não gostou da carta de FHC? Adivinhem. O PSDB de Minas. O senador Eduardo Azeredo continua a achar que fez tudo certo ao permanecer na presidência do partido mesmo depois que veio à luz o caso do caixa dois na sua campanha. Era algo diferente do valerioduto? Era. E FHC reconhece isso. Mas tinha de ter caído fora. Agora ele diz que o ex-presidente nunca lhe disse nada a respeito. Infelizmente, é mentira. Disse, sim. E ele resistiu. Outros tucanos também falaram da inconveniência de permanecer. Ele não quis ouvir. Aécio Neves também bateu pé e não aceitou a sua saída. Azeredo cutuca FHC e diz que ele pode estar incomodado porque Lula compara seu governo com os oito anos da gestão federal tucana. Ou seja: ele também acha o governo Lula melhor, e isso explica muita coisa. Caberia a este senhor reconhecer que ele conferiu verossimilhança à mentira petista de que todos são iguais. Outro tucano mineiro, o deputado Rafael Guerra, também não gostou. “A crítica foi superficial, gratuita e incompleta. Da forma como foi feita coloca tudo como farinha do mesmo saco. O que houve com o senador não pode ser comparado com o que o governo e o PT fizeram. O assalto à República é uma coisa; financiamento de campanha é outra coisa. Ambos são errados, mas são coisas diferentes". Eu também acho. Agora vá explicar ao eleitorado, que não engoliu a diferença. Ou, então, deputado, vamos trocar de povo... O fato é o seguinte: tanto se diz que a sucessão de 2010 tem de passar por Minas, que sou obrigado a constatar que ela já passou. Quando o PSDB e o PFL protegeram, respectivamente, Azeredo e Roberto Brant, prestaram um grande serviço ao PT. O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia, também entrou errado no debate — aliás, poderia ter ficado fora: é coisa de tucano. “Temos que comparar o que o Lula prometeu e o que fez, inclusive no campo ético, com o futuro, com o que o Alckmin pode fazer". É o que está em curso, deputado, com os resultados que se vêem até aqui. Sugiro a Rodrigo que tome umas aulas de política com outro Maia, o César, o primeiro dos pefelistas inconformados com a campanha.

Surpresa! Carta Capital declara apoio a Lula!

Quase caio da cadeira. A revista Carta Capital que chega às bancas traz um editorial declarando apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Vocês acreditam? Não, não tenho nada contra o procedimento. Ao contrário até: acho que é isso mesmo o que os meios de comunicação que não são concessões públicas deveriam fazer. Quando eu dirigia Primeira Leitura, apoiamos a candidatura de Serra em 2002 (Presidência) e 2004 (Prefeitura). E, antes, em 2000, o site Primeira Leitura defendeu o voto em Marta Suplicy contra Paulo Maluf no segundo turno das eleições para a Prefeitura de São Paulo. Neste caso, arrependo-me, é claro. Não que tenha sido injusto com Maluf: foi injusto com o PT, se é que vocês me entendem. À sua maneira, Maluf ainda é um romântico... Já o petismo é coisa de profissionais mesmo. Eu sabia o que eles representavam politicamente, mas me faltava a devida dimensão de sua, como dizer?, moralidade em sentido mais estrito. Mas está feito. Uma mancha na minha biografia. Ah, sim: acho que a opção por uma candidatura tem de ser feita logo de cara, e não depois que a população já decidiu quem vai ganhar. Nesse caso, há menos coragem editorial do que oportunismo. O que eu deveria ter feito em 2000? Ter defendido o voto nulo. Acho essa conversa de que o eleitor é obrigado a escolher alguém mero papo furado. Não é. Para começo de conversa, o voto não deveria ser obrigatório. Se o Estado o obriga a fazer o que você não quer, cabe-lhe ao menos o direito ao protesto, sim, senhores.

Ainda FHC na presidência do PSDB

Por que acho que FHC deve assumir a presidência do PSDB e por que acho que a carta faz parte dessa equação? Porque a sucessão em 2010 — ora vejam! — vai, sim, passar por São Paulo. A idéia de que o Estado deva ser descartado da disputa desde já lembra aquela musiquinha: “Maria se casa com quem quisé/ Desde que seja com o José”. Ou, para ficar nos temos da hora, “Maria se casa com quem quisé/ desde que NÃO seja com o José”. Eu adverti de que havia açodamento, não? Ainda que a “minha” proposta não prospere, supor que a figura mais importante do tucanato pudesse ser descartada, assim, por um “me dá aqui aquela palha”, é um erro. Com a carta, FHC rompeu, sim, uma certa cordialidade que mantinha na relação com Lula — jamais correspondida, é bom deixar claro —, mas pintou o rosto também para a guerra interna. Para quem não sabe: do tal triunvirato, ele foi o único que tinha claro que só Serra reunia condições de vencer Lula nesta disputa, embora considerasse a peleja difícil, arriscada. Aécio Neves e Tasso Jereissati, ainda que tenham dado, muitas vezes, sinais ambíguos, sempre estiveram com Alckmin e respondem por aquela determinação, que parecia quase divina, do então governador em se dizer o candidato. Como também foi FHC quem despertou cedo para a necessidade de Serra disputar o governo de São Paulo. Seguisse o partido a orientação do guia Tasso Jereissati e de seu lugar-tenente na estratégia, Aécio Neves, o provável futuro governador de São Paulo estaria agora na Prefeitura, e São Paulo teria um encontro marcado, no dia 1º de outubro, com Orestes Quércia ou com Aloizio Mercadante. Escolhido Alckmin, Aécio foi cuidar da própria vida, e Tasso foi brigar na sua aldeia com Lúcio Alcântara. De súbito, toda aquela energia de Alckmin parece ter virado autismo. Foi miseravelmente cristianizado. Chega de premiar o erro, a falta de visão política, a vaidade, o jogo do “eu-sozinho”. Vou citar o avô de Aécio Neves, Tancredo, quando decidiu entrar na disputa pela Presidência no Colégio Eleitoral da ditadura: “Maluf agora vai lidar com profissionais”. Chegou a hora de ser profissional. O amadorismo conduziu as coisas até aqui.

Os picaretas contra Deus

"Tem gente que tem vergonha. Estudou tanto, que acha que estar do lado de evangélico é atraso. Eu aprendi uma coisa com minha mãe. Relação de amizade é uma coisa sagrada. A gente aprende a conhecer um homem e uma mulher não apenas pelo que ela fala. É olho no olho. Nada diz mais verdade do que o olhar de um ser humano". É Lula falando aos evangélicos. Não se diga que ele não segue tal princípio. Vejam só: a relação dele de amizade com José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e mais uma penca de mensaleiros continua intacta. Por quê? Por causa dos ensinamentos de sua mãe, aquela que nasceu analfabeta “nespaiz” por culpa dos governos que nunca cuidaram dos seus pobres. Só para esclarecer: o termo “evangélico” acaba misturando joio e trigo. É claro que existem denominações protestantes sérias que estão nessa rubrica. Mas há também muito picareta. Não estou me referindo necessariamente à Assembléia de Deus, que nem tem um comando unificado. Há “assembléias” para todos os gostos. Mas é inequívoco que existem igrejas neopentecostais que não passam de pilantragem e disfarce para lavagem de dinheiro. Essa gente está com Lula também. Seu cristianismo é tão verdadeiro quanto é verdade que o Apedeuta é a mais perfeita encarnação dos interesses do povo brasileiro. Essas coisas só prosperam no país porque, do outro lado, quem deveria fazer frente à picaretagem, a Igreja Católica, está perdida em proselitismo político. Mesmo depois de João Paulo 2º, os católicos no Brasil ainda são reféns da Escatologia da Libertação. A mesma que ajudou a dar Lula à luz. Este que agora cai nos braços da versão novo-riquista do cristianismo: a tal Teologia da Prosperidade — sobretudo da prosperidade dos donos das ditas “igrejas”. Não deve ser por acaso que essas denominações praticam tanto exorcismo em seus templos, alguns deles televisionados. Se há um lugar onde o capeta deve se sentir bem, nesses templos. Está sempre lá. Metodistas, anglicanos, luteranos, batistas, dentre outros, entram na denominação de evangélicos e são gente séria, que não vende um milagre a cada esquina. Mas também há aquelas correntes cujos líderes deveriam estar na cadeia por exploração da boa fé pública. São os mais entusiasmados com Lula.

FHC para presidir o PSDB. E rápido!

O caso é o seguinte: com a sua carta, FHC foi mais longe do que tinha ido desde que deixou a Presidência da República. No geral, tem mantido um comportamento lhano, cordato, mas não é o que tem recebido em troca. Muito ao contrário. Basta ver aquele documento feito pelo PT, que tem a ousadia de se passar por um programa de governo. É uma soma de mistificações e de desqualificação do governo tucano. É a segunda peça de propaganda com essa característica. A outra é um livro de Aloizio Mercadante. Se FHC cruzou o Rubicão, agora tem de avançar. A sorte está lançada. Avançar para onde?

Para a presidência do PSDB. Tasso Jereissati já demonstrou que não tem condições de presidir o partido. Conduz uma campanha à Presidência da República desastrada. No seu mandato, o partido saiu de favorito para as eleições presidenciais a, tudo indica, derrotado logo no primeiro turno. Alguém com a sua responsabilidade institucional tem de ter sangue frio. Ele não tem. Tanto é que protagoniza uma inacreditável presepada no Ceará: não apóia o candidato do partido que ele próprio preside e dá apoio, não declarado, mas explícito, a Cid Gomes, de um partido que apóia Lula, o PSB. Cid é irmão de Ciro, um dos que se candidatam a herdeiro não do petismo, mas do lulismo. São amigos pessoais. Problema deles, não do país.

As outras lideranças que poderiam presidir o partido estarão com mandato executivo. Assim, que Tasso assuma o seu espetacular fracasso e deixe o caminho aberto para o único com condições morais e intelectuais — além de história — para fazê-lo: FHC. No caso da reeleição de Lula — em primeiro ou em segundo turno, tanto faz —, a oposição tem de se organizar numa espécie de resistência. Não se trata da bisonha coragem dos heróis derrotados. Trata-se de articular uma agenda alternativa, que tenha, sim, a economia no horizonte, mas que recoloque a política — e a democracia — no centro do debate.

Só há uma pessoa capaz — e, hoje, disponível — para fazê-lo: Fernando Henrique Cardoso. O PSDB precisa voltar a ser um partido, e não uma pequena federação nem tanto de interesses (como é o PMDB), mas de vaidades. O próprio FHC precisa ter a coragem de assumir esse desafio, ou sua carta corre o risco de cair no vazio. É chegada a hora de arrumar a casa, de pôr freio em certos açodamentos. E de se preparar, na hipótese quase certa da derrota de Alckmin, para 2010. Há aventureiros para todo lado. Têm de ser contidos. Ou, se necessário, expelidos. O PSDB chegou pequeno à Presidência da República em 1995 (eleito em 1994) porque tinha um trunfo; as idéias estavam organizadas em torno de um centro. Hoje, convenha-se, tem muito mais gente, mas lhe falta clareza.

Passada a eleição, que Tasso ponha o cargo à disposição. É o melhor que tem a fazer. E que FHC assuma, ainda outra vez, a responsabilidade que lhe cabe.

Comentários que sumiram

Não vejo a hora de estar de casa nova. O Blogger já está enchendo o meu saco. Não deve ter sido feito para postar tantos textos. Bem, o fato é o seguinte: marquei um lote de comentários e mandei publicar. Deu mensagem de erro. Reiniciei tudo. Quanto voltou, eles tinham sumido, mas também não foram publicados. E o sistema está lentíssimo. Se você não vir o seu postado, mande de novo. Isso não vale para petralhas, é claro. Paciência. Está por pouco.

Lula e Deus

"Eu digo sempre que, se tem um ser humano que tem que olhar todo dia para o céu e agradecer a sua generosidade, sou eu. Deus foi bem generoso". É Lula falando aos evangélicos da Assembléia de Deus, no Rio. Ele recebeu nesta sexta apoio público dos pastores dessa denominação religiosa na Catedral das Assembléias de Deus, em Santa Cruz, na Zona Oeste. No melhor espírito cristão, afirmou: “Se tivermos um segundo mandato, com a experiência e aprendizado que tivemos, podemos fazer infinitamente mais, incomodando aqueles que vocês sabem que estamos incomodando". Considerando que falava ao pessoal da Assembléia, vai ver estava se referindo aos católicos... Num dado momento do discurso, misturando cristianismo falsificado com macumba, disparou: “Estamos aprendendo que Deus escreve certo por linhas tortas, atento para tudo, e que as coisas acontecem quando tem que acontecer". De que coisas será que ele está falando? Vai ver o mensalão estava nos planos do Senhor e não passou de uma atribulação — à sua maneira, Lula teria sido um Jó — para que o Apedeuta saísse ainda mais fortalecido. É claro que Deus não tem nada com isso, não é? Aliás, Ele deve olhar para os católicos do Brasil e pensar: “Eta gente mole! Deixa-se enganar facilmente pelo capeta, hehe”. Deus faz “hehe” porque é Aquele do Novo Testamento, sabem? Um pouco mais bem humorado do que O do Velho — que, obviamente, já teria fulminado Lula com um raio. Acusação: misticismo, curandeirismo e magia.

Alckmin melhora um pouco no RS. Pouco

Aqui e ali, há sinais de recuperação de Geraldo Alckmin. É o caso do Rio Grande do Sul. Segundo levantamento do Centro de Pesquisa Correio do Povo (CPCP), o tucano tem, agora, 37,7% das intenções de voto no Estado (tinha 33,7%). Lula, do PT, tinha 31,5% e oscilou para 32,2%. Isso basta para levar o candidato do PSDB ao segundo turno? É claro que não. A menos que o crescimento se espalhasse pelo país. E com margem maior em relação a Lula. Por quê? Porque a distância no Nordeste é tão acachapante, que seria necessário crescer muito no Sul e Sudeste (sobretudo nesta região) para compensar. São Paulo, digamos, faz a sua parte contra o Apdeuta. Ocorre que o desempenho do candidato no Rio e em Minas é sofrível.

Aécio não nega que pode deixar o PSDB

Vocês imaginam, sei lá, um José Serra, eleito ou não governador de São Paulo, deixando o PSDB? Melhor ainda: vocês imaginam que alguém lhe possa fazer tal pergunta? Muitos poderão dizer que a especulação sobre uma eventual saída de Aécio Neves do PSDB não passa disto: especulação. Será mesmo? Como dizia o apóstolo Paulo, quem não quer confusão faz com que os instrumentos soem com clareza. Será que é o que vem fazendo o governador virtualmente reeleito de Minas? Reparem numa pergunta que lhes fez o jornal Tribuna de Minas, de Juiz de Fora, e a resposta que ele deu:

"Pergunta - O sr. tem planos de sair do PSDB?
Aécio Neves -
Tudo pode acontecer. Mas, muito sinceramente, acredito que meu caminho é continuar no PSDB, partido com o qual tenho profunda identificação, inclusive porque sou do grupo de seus fundadores, em 1988. Acredito, ainda, que o PSDB vai passar por um processo de transformação, de nacionalização, de descentralização em termos de lideranças e atuação partidária propriamente dita. O PSDB é um partido que nasceu principalmente em São Paulo. É natural que suas principais lideranças sejam de São Paulo, como Fernando Henrique, Covas, Serra. Mas o país pede uma nova correlação de forças, um reequilíbrio nacional: se o PSDB quiser ter um projeto nacional de longo prazo, tem que ser um partido nacional. O que existe no Brasil hoje são partidos políticos muito pouco representativos, que não são canais de transmissão com a sociedade. Enquanto achar que é possível o partido desconcentrar-se e, por mais que seja forte em São Paulo, o PSDB continuar sendo a melhor alternativa partidária do país, é nele que eu tenho que militar."

Trocando em miúdos: o PSDB nacionalizar-se significa aderir desde já à sua candidatura à Presidência da Republica. Ou ele cai fora. Sem nunca ter conseguido mais de 4% ou 5% dos votos nas pesquisas de opinião, Aécio considerava-se um presidenciável já neste 2006 — a rigor, se vocês lembrarem, ele reivindicava tal condição em 2002... Por isso emprestou à sua decisão de concorrer ao governo de Minas o ar de uma renúncia. E isso fez dele um dos três do então mal chamado “triunvirato”, que decidiria o candidato do PSDB à Presidência. Alckmin acabou o escolhido, com o resultado que hoje vemos. E com o empenho de Aécio que também vemos para elegê-lo... Uma resposta que começa com “tudo pode acontecer” corresponde a uma imposição a seus companheiros de partido. E, mais uma vez, está na sua fala que já é uma obsessão: a sua militância contra São Paulo. Mais um pouco, ele vai pensar que estamos em 1932...

Aécio pode achar que está sendo genial no jogo. Pois eu insisto que ele está sendo açodado. E um pouco trapalhão também.

Mentira anunciada: Orçamento do governo Lula já desmente o candidato Lula

No Estadão desta sexta: “A proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o orçamento do próximo ano desmente as promessas do candidato Lula. Dependendo da platéia, o Lula candidato promete cortar impostos, gastar menos com a gestão do governo, reduzir o déficit da Previdência, aumentar verbas para os programas sociais e ampliar investimentos para melhoria das estradas e portos. Nenhuma dessas promessas, no entanto, está espelhada na proposta orçamentária para o próximo ano - nunca o orçamento foi tão peça de ficção. Lula promete, mas o orçamento não prevê recursos para sustentar tantas iniciativas para o primeiro ano de um segundo mandato, caso seja reeleito. No caso dos impostos, embora o desejo do candidato Lula seja o de reduzir o peso dos tributos, o projeto do orçamento, enviado para o Congresso, explicita aumento da chamada carga tributária. Em 2006, tudo o que a Receita recolheu atingiu valor equivalente a 17,24% do Produto Interno Bruto (PIB). No ano que vem, segundo o orçamento de Lula presidente, a carga subirá para 17,41% do PIB, crescimento de 0,17% do PIB. Quando Lula assumiu o governo, em 2003, os impostos arrecadados pela Receita (considerando-se, apenas, impostos e contribuições federais) correspondiam a 16,3% do PIB (algo em torno de R$ 24 bilhões à época). Ou seja, houve aumento de um ponto porcentual do PIB, a despeito da garantia do presidente de que, em seu governo, não haveria aumento de impostos federais (com novas alíquotas) ou da carga tributária. O parâmetro de comparação sempre foi o último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. O compromisso de Lula era tal que a equipe econômica chegou a estabelecer como meta que a carga federal não passaria de 16% do PIB em 2006. Ou seja, cairia em relação ao patamar deixado por FHC." Cique aqui para ler mais

Fim do voto secreto: você já leu este argumento

José Carlos Aleluia (PFL-BA), líder da minoria na Câmara, diz em entrevista ao Estadão rigorosamente o que escrevi neste site, no dia da votação, sobre o fim do voto secreto. Ele está certo. Que ele seja extinto para os casos de cassação de mandato. Aí, sim. No mais, trata-se de um ato de submissão do Legislativo ao Executivo. Por que vocês acham que o PT está todo assanhado, defendendo o expediente? A razão é simples. Lula, que deve ser reeleito, quer ter o Parlamento na ponta dos nove dedos. Por Denise Denise Madueño: “Defensor da manutenção do voto secreto para a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, o líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFLBA), classificou de 'burro' o texto aprovado na terça-feira, em primeiro turno, que institui o voto aberto em todas as votações do Congresso. Para ele, o Legislativo perderá a independência e ficará sujeito à imposição do governo se os parlamentares abrirem mão do voto secreto para a escolha das Mesas Diretoras. 'Foi a festa da burrice e da submissão', diz Aleluia nesta entrevista. 'O texto não passará no Senado.'
Qual será o impacto do voto aberto na eleição para os presidentes da Câmara e do Senado e para os demais cargos da Mesa Diretora?
Os Parlamentos do mundo adotam o voto secreto para evitar a influência externa. O Parlamento inglês, o mais insuspeito do mundo, com mais tradição, adotava o voto aberto até 2001, mas concluiu que, ainda que no parlamentarismo, havia influência do Executivo na escolha do presidente da Casa e adotou o voto secreto. Imaginem no presidencialismo, com a influência desmedida como é no Brasil. Muitas vezes é uma influência antinatural e criminosa, como foi a influência do mensalão e das nomeações, do aparelhamento do Estado. Se o Senado referendar essa prática, o governo usará todo o seu poder para eleger um aliado sem ouvir ninguém".
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A Igreja Católica continua errando. Cadê o Bento?

Eu estou lutando bravamente para não me decepcionar com Bento 16. Estou dizendo para mim mesmo que ainda é cedo, que é preciso dar tempo ao tempo etc e tal. Mas temo que a fama de “conservador” com que chegou ao Trono de Pedro acabe por lhe amolecer a mão. A Igreja Católica brasileira não aprende com a história, conforme se vê logo a seguir e se lê na nota abaixo desta. Continua andando em péssima companhia e metendo a Cruz onde ela não é bem-vinda. Por Leandro Berguoci, na Folha desta sexta: “As lideranças do Grito dos Excluídos aproveitaram o momento eleitoral para atacar a corrupção na política, mas sem especificar candidatos, governos ou partidos.Organizado pela Igreja Católica com o apoio de movimentos sociais como o MST, ONGs como a Educafro (que defende cotas para negros em universidades), sindicatos e associações de sem-teto, o Grito surgiu em 1995 com o apoio de dom Luciano Mendes de Almeida, ex-presidente da CNBB. O bispo, que morreu no mês passado, era um dos principais entusiastas do evento que ocorre em várias partes do país no Sete de Setembro. Durante a missa que abriu o Grito dos Excluídos na Catedral da Sé, o arcebispo de São Paulo, cardeal dom Cláudio Hummes, condenou a corrupção e pediu que a população não vote em corruptos. ‘A gente não deve votar em corruptos, como as denúncias dos mensaleiros e sanguessugas. A gente deve votar em gente honesta", afirmou o cardeal. Dom Cláudio também criticou a política de segurança em São Paulo. O cardeal disse que há algo de errado em um Estado que "precisa construir uma cadeia por mês" e que é preciso ‘humanizar as cadeias’. Em Aparecida (167 km de São Paulo), onde houve outra edição do evento, o arcebispo dom Raymundo Damasceno também atacou a corrupção: ‘O cristão não deve desanimar diante dos insucessos, das dificuldades, da crise ética que estamos vivendo, da falta de paz nas cidades, dos atentados contra a vida, desde a concepção’." Clique aqui para ler mais

Lula: da Escatologia da Libertação aos evangélicos

O PT foi formado sobre três pilares: o chamado novo sindicalismo do ABC, os egressos da luta armada e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica. Lula, em muitos aspectos, é uma cria da Igreja Católica, particularmente de seu ramo de esquerda, a Escatologia da Libertação. Pois agora cospe gloriosamente no prato em que comeu. Como sempre. Por Raphael Gomide na Folha desta sexta: “Lideranças evangélicas vão pedir votos em igrejas em defesa da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. O líder da Convenção Nacional das Assembléias de Deus no Brasil (Ministério de Madureira) e presidente do Conselho Nacional de Pastores do Brasil, Manoel Ferreira, disse ontem à Folha que a entidade vai pedir aos fiéis da igreja para votar em Lula. A atividade política é proibida pela Justiça Eleitoral em cultos religiosos. A Igreja Universal do Reino de Deus, outra evangélica com atuação política, já apóia Lula. ‘Recomendamos o apoio, os pastores levam a palavra [para os fiéis]. Geralmente eles estão três vezes por semana com os fiéis do país e já falam com os fiéis que a direção se manifestou favorável [ao apoio a Lula]. É mais ou menos por aí.’ Lula estará hoje em Santa Cruz, zona oeste do Rio, para formalizar o apoio dos líderes da Assembléia de Deus. Segundo Manoel Ferreira, a igreja ‘vai manifestar apoio e recomendar o voto em Lula aos fiéis’. ‘Apenas recomendamos, mas o voto é livre’, disse. A ‘decisão definitiva’ de aderir à campanha de Lula foi tomada pela Assembléia de Deus na segunda, mas o presidente receberá oficialmente o apoio amanhã, durante convenção brasileira que reúnirá cerca de 2.500, pastores de todo o país no Rio e vai de hoje a domingo." Clique aqui para ler mais