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Reinaldo Azevedo
"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem" — Robert Musil em "O Homem sem Qualidades"

Sábado, Setembro 30, 2006

Datafolha e Ibope confirmam o Data-Reinaldão. E também vejam aquele papo de vetores...

Já estou aqui envergonhado, atrasado para o meu jantar. Mas o que não faço por vocês? Viram só? Os passarinhos que vêm piar na minha janela não falham, hehe. Meu palpite para o Ibope não poderia ter sido mais preciso, hehe. 49% a 51% a favor do segundo turno. Lula começou a desidratar. Os números são os seguintes — o que está entre parênteses é o que os candidatos tinham há três dias:
Lula – 45% (48%)
Alckmin 34% (32%)
H. Helena 8% (8%)
Cristovam 2% (2%)

No Datafolha, há rigoroso empate entre votos de Lula e dos demais. Os números são os seguintes, para as mesmas datas:
Lula – 46% (49%)
Alckmin – 35% (33%)
H. Helena - 8% (8%)
Cristovam – 2% (2%)
Para o Datafolha, a chance de segundo turno é de 50% a 50%.

O instituto fez uma simulação de segundo turno: Lula está com 49% dos votos, e Alckmin, com 44%. Há três dias, esses números eram, respectivamente, 52% a 41%. Há oito dias, a diferença era de 15 pontos (54% a 39%). Agora, é de 5.

Gosto que lembrem o que escrevi. Abaixo, em azul, segue a nota que publiquei aqui no dia 23, sábado passado, às 18h57. Podem procurar lá.

Vamos lá, meus caros, na base do controle remoto. Estou fora da minha base. A esta altura vocês já sabem os números do Estadão/Ibope: Lula com 47% das intenções de voto (tinha 49% na pesquisa anterior, de 21 de setembro), Alckmin com 33% (tinha 30%), Heloísa Helena com 8% (tinha 9%), Cristovam Buarque com os mesmos 2% e Ana Maria Rangel com 1%. A soma dos adversários de Lula, portanto, dá 44%. Como se vê, a diferença entre o Apedeuta e seus oponentes caiu para três pontos percentuais; ou seja, na prática, 1,5 ponto. Lembram-se daquela conversa sobre física, ontem? O vetor indica segundo turno. Prometi a vocês boas notícias neste fim de semana.
Alckmin chega aos 33% – é o terço do eleitorado anti-PT ou anti-Lula – neste caso, tanto faz. “Final força é pisar com violência”, disse o poeta. Alckmin precisa aproveitar a reta final e bater sem dó. Em quê? No golpismo, na malandragem, no roubo, no dinheiro ilegal.
Já que um terço sempre votará em Lula, mesmo que ele dê uma surra na mãe, é preciso atrair fatias do que lhe resta do segundo terço, que é móvel. É gente que tem potencial de indignação. Passada a porta estreita (Lucas) do primeiro turno, o segundo se anuncia com Lula vendo se esboroar a sua base de apoio, e Alckmin estará em ascensão. Segundo a pesquisa Estadão/Ibope, a simulação de segundo turno aponta 50% a 41% para Lula – ou seja, o petista agrega apenas três pontos em relação ao primeiro turno, e Alckmin, oito pontos. De novo, surge a questão vetorial.
Em síntese, estamos assim: caminhamos para o segundo turno e, acreditem, para a vitória de Alckmin.

Estou saindo para jantar. Publico os comentários de vocês da casa dos meus amigos.

A terra vai tremer

Se o delegado Bruno falar relamente tudo o que pretende, a terra vai tremer. A partir do Planalto Central do Brasil.

Voa, passarinho, voa...

Palpite do passarinho para o Ibope: 49% a 51% para haver segundo turno.

Foi o debate, estúpido!

O comando do PT está jogando toda a responsabilidade do possível segundo turno no vazamento das fotos. Mas não é, não. A ausência de Lula no debate foi péssima para a sua reputação. Foi aí que ele começou a perder votos. Também caiu mal a tentativa de fazer a Globo — e milhões de telespectadores — de trouxa. Quis dar uma de esperto, danou-se. Como revelei aqui em primeira mão, ele nunca pensou em ir ao debate. Enquanto uma parte da equipe se segurança vistoriava o Projac, a outra estava em São Bernardo, para onde ele iria de fato. Pior: concedeu uma entrevista desqualificando adversários, acusando o seu baixo nível. Foi o segundo erro. Cristovam Buarque não disse uma só palavra agressiva contra Lula. Geraldo Alckmin foi duro o quanto consegue ser, mas também pegou leve. E Heloísa Helena, todo mundo viu, atacou igualmente petistas e tucanos. Portanto, a armação que Lula denunciou estava em flagrante contradição com os fatos.

Festa do PT foi cancelada

O pessoal que faz a campanha de Lula em Brasília, publicitários, jornalistas, turma de apoio, técnicos, etc já havia programado uma festança para este domingo. Muitos já estavam com passagens reservadas. Ontem chegou a ordem do comando: cancela tudo. Isso significa que os petistas também já não esperam vencer a disputa no primeiro turno. Mais um mês de trabalho.

No desespero, PT tenta pautar Jornal Nacional

O PT está num esforço monumental para pautar o Jornal Nacional. Espero que o principal programa jornalístico do país não caia na conversa. Dilma Rousseff, Tarso Genro, Marco Aurélio Garcia e o próprio Lula estão acusando uma trama da oposição, uma tentativa de golpe. É o jogo deles. Acusam terceiros daquilo que tentaram fazer. Vão tentar dividir a má notícia que receberão das pesquisas eleitorais com a denúncia de complô. Eles são muito hábeis nessa arte. Nessas horas, sinceramente, temo pela competência do PSDB em fazer a guerrilha de informação. E o JN nem precisa pender para este ou para aquele lado. É tal a gritaria do petismo, que a lógica é só ocupar espaço. O PT fez a tramóia. E estão tentando, desde ontem, fazer com que pareça o contrário.

Além do Data-Reinaldão, a lógica...

Além do Data-Reinaldão, aquele coquetel que mistura vários planos de conhecimento, físicos e metafísicos, tenho a lógica a meu lado. Se os institutos de pesquisa indicarem um empate técnico, por exemplo, pior para Lula. Por quê? Porque será um sinal de que começou uma corrosão na sua candidatura. Segundo turno, para o PT, já é uma segunda derrota. A primeira é São Paulo.

Delegado assume vazamento e promete "coisas surpreendentes"

A cobra vai fumar. O delegado Edmilson Bruno, que prendeu os bandidos petistas que estavam com a grana para comprar o dossiê fajuto, assumiu ter sido o responsável pelo vazamento. E promete, numa coletiva a ser concedida na segunda, revelar “coisas surpreendentes”. Ele defendeu ainda a ampla divulgação dos fatos relacionados ao dossiê. A PF abriu um inquérito para apurar o vazamento. Pronto: já tem a confissão.

Data-Reinaldão de novo

O clima no Palácio do Planalto e em certa cobertura de São Bernardo é de velório. Os que tentaram dar um golpe eleitoral agora se dizem vítimas de golpe. O PT já está preparando a saída López Obrador. Vai quebrar a cara. O Data-Reinaldâo reitera: vai haver segundo turno. Agora já é o passarinho que me contou. Eu falei para Lula não ir ao debate que seria pior para ele. Lula deve sempre ouvir os meus conselhos. Jamais eu faria qualquer recomendação que pudesse beneficiá-lo.

Bolsa uísque

Os petralhas estão acusando o meu elitismo, com essa história do Gold Label. Não têm senso de humor e também não sabem fazer conta. Dizem que é a burguesia se refestelando, que Lula é o presidente do povo que não pode beber uísque caro. Ora... Mandem o PT pegar aquele R$ 1,8 milhão. Dá para comprar umas 6 mil garrafas de Gold Label. Com os R$ 50 milhões de Marcos Valério, compram-se 166.666 garrafas. Juntando as duas boladas, considerando, vá lá, 15 doses da bebida, dá para fazer a alegria de 2.589.990 pessoas Nestepaís. É o Bolsa Uísque. Egoísmo é Lula beber sozinho.

Plantão

É claro que este blog estará de plantão amanhã. Saio, voto e volto. Pô, estou aqui, em pleno sabadão... Hoje, dou uma escapada. Eu e dona Reinalda vamos jantar com uns amigos. Amanhã e madrugada adentro, estarei na labuta. E, bem, bebendo apenas água e suco artificial de uva...

O ritual do Gold Label - o retorno


Pedem-me o ritual do Gold Label para comemorar o segundo turno. O seguinte: pôr o Gold Label no congelador ou no freezer, como se fosse vodca. Deixar lá até haver sinais evidentes de que alcançou a temperatura mínima possível. Se houver sobre a garrafa aquela fina camada de gelo, tanto melhor. É para servir em pequenos cálices de licor e, atenção!, sem gelo!, ou vai mudar a densidade do líquido. Um chocolate amargo, entre uma bebericada e outra, vai bem. Mas pouco. Não é pra se empanturrar. Chocolatinho, uma bebidinha, língua no palato, viaje na mistura do chocolate com o malte, que se percebe pelo olfato, inspirando e expirando pelo nariz, combinando com o espírito do álcool. Huuummm, como é mesmo? Beba com moderação. E se o Lula ganhar? Será uma pena. Mas a sua vitória pessoal já estará assegurada. Bem, é a última vez que falo disso sem o patrocínio da Johnnie Walker, hehe. Sim, é preciso estar em boa companhia, ou você terá de ficar bêbado para melhorar os outros...

Vox Populi e o ajuste dos números

Sabem por que não dei destaque ontem à pesquisa Vox Populi? Porque seus números passaram apenas por um processo de atualização, ajustando-se aos do Datafolha e do Ibope. Mas já estão vencidos. Sim, ok, na pesquisa feita pelo instituto entre os dias 16 e 19, a diferença entre Lula e os adversários era de 17 pontos; agora, na feita entre 28 e 29, caiu para 4. Em todo caso, seguem os números: Lula: 46%; Alckmin: 33%; Heloísa Helena: 7%; Cristovam Buarque: 1%. Sim, é importante; demonstra que as coisas estão em movimento mesmo, mas os dados já devem ter sido superados pela realidade. Vamos ver.

Data-Reinaldão informa: haverá segundo turno

Data-Reinaldão informa: vai haver segundo turno. Segundo o tracking que fiz, usando métodos místico-holístico-matemáticos — não registrado no TSE porque é coisa do outro mundo —, a soma dos adversários de Lula supera o Apedeuta acima da margem de erro. “E se você estiver interpretando errado os sinais, Reinaldo Azevedo?” Uai, resta o tapetão legal. Mas eu prometi ao Diogo, no seu Podcast, o segundo turno, ouçam lá. Preciso entregar o material. Eu pedi ao Lula que não fosse ao debate porque seria pior para ele. E ele não foi, hehe. Em qualquer caso, a luta continua.

Mercadante: candidatura sempre foi mixuruca

Tão logo a gente consiga cassar o mandato do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) — com provas, é claro... —, dou início a uma outra campanha: Mercadante para humorista. Em vez de contar piadas com palavras de duplo sentido, ele pode continuar a fazer o que já fazia: dizer coisas sem sentido. Ele está cobrando da mídia uma postura “mais republicana”. É uma palavra que ele aprendeu a usar com Tarso Genro, mau professor de republicanismo. Está bravo porque a imprensa teria dado pouco destaque à declaração de Hamilton Lacerda, seu estafeta, de que ele, Mercadante, não teria nada a ver com a tramóia do dossiê fajuto.

Mercadante é de tal sorte egomaníaco que está tentando passar adiante a lorota de que sua candidatura só naufragou por causa dessa história do dossiê. Fica parecendo que, antes disso, ele chegou a ser, alguma vez, viável. Nunca foi. Segundo o Data-Reinaldão, Serra, a exemplo do que se viu na eleição para a Prefeitura de São Paulo, sempre teve mais votos do que lhe deram as pesquisas. Aposto que o interior deve dar ao tucano uma porcentagem acima do que vem sendo registrado. O mesmo vale para a periferia da Capital: por ali, as pessoas têm medo de dizer que não votam no PT. Infelizmente, uma parte está sitiada pelo narcotráfico, e a outra, pelo petismo. Em qualquer dos casos, é uma desgraça.

Com ou sem dossiê, Mercandante nunca chegou a ser uma alternativa viável, tampouco ameaçou a vitória de Serra no primeiro turno. Conta, agora, a história à sua maneira porque é essa a sua natureza. O insucesso lhe subiu à cabeça. E ele está procurando desesperadamente um culpado. Serve qualquer um, desde que não seja Mercadante. O máximo que pode ter acontecido é o dossiê ter minguado uma candidatura que já era mixuruca.

Véspera

No dia 18 de setembro, estive na Casa Mário Quintana, em Porto Alegre, para participar de um bate-papo com o cientista político Francisco Weffort e com o escritor Moacyr Scliar. A propósito: já havia um certo quê pró-Yeda Crusius no ar. Estávamos ali para falar sobre a política e o Brasil contemporâneo, uma das atividades do Projeto Brasil Copesul Cultural, organizado pelo professor Fernando Schüler. Faziam parte do conjunto de eventos, além de dois debates, uma exposição, mostra de cinema e show. Impressionante o grau de mobilização dos porto-alegrenses. Há ainda um livro de ensaios, chamado Brasil Contemporâneo – Crônicas de Um País Incógnito (editora Artes e Ofícios), que integra o projeto. Assino um dos textos. Lembrei-me disso porque Scliar, numa palestra doce e douta, falou que a perplexidade era a marca do nosso tempo.

Concordei com ele, mas observei — e é o gancho deste texto — que, não sabendo jamais ser neutro, repudiando sempre a torre de marfim dos isentos, até a minha perplexidade tem lado. Penso nisso ao constatar que estamos na véspera da eleição presidencial, e só cabe uma postura aos democratas e aos que defendem o Estado de Direito: o voto contra Lula. E isso é ter lado. Mesmo que o voto contra Lula não seja um voto a favor de Alckmin, Heloísa Helena ou Cristovam. E aí está a perplexidade. É um tanto assustador nos darmos conta de que, no prazo de 15 meses, dois grandes escândalos puseram a nu o governo, revelaram a sua essência autoritária, expuseram a carranca de um projeto de poder que é a negação da democracia representativa, da tolerância, da alternância de poder, da convivência com o outro.

O cinismo, a desfaçatez, a trapaça política assumem dimensões inéditas. O Brasil já teve o “rouba, mas faz” — mas ainda não havia conjugado esses dois verbos na primeira pessoa: “Roubo, mas faço”. O Brasil já teve gente sem nenhuma vergonha no poder. Os sem-vergonhas, no entanto, tinham vergonha de não ter vergonha. Hoje, a sem-vergonhice se jacta de sua esperteza, é vista como ato de resistência. Antes, acuados por denúncias, muitos inocentes, talvez por isso mesmo, se deixavam intimidar. Hoje, os culpados, flagrados, saem acusando, com o dedo em riste. Olhem o caso da divulgação das fotos da dinheirama. Submetida a investigação ao descarado e confesso interesse eleitoral, o ministro Tarso Genro não se vexa de vir a público para denunciar uma conspiração dos adversários.

Sim, estamos todos perplexos. Uma perplexidade que já é longa. Que já voltou a sua face indignada contra a própria oposição para indagar: “A aí? Por que vocês são tão lentos? Por que não se mexem? Por que não fazem política com mais clareza, unidade, determinação? Por que permitiram que chegássemos aqui e não denunciaram antes que o rei estava nu?” Sim, todas essas são perguntas pertinentes, são indignações justas. Mas nada supera o fato de sabermos que as instituições estão se vergando sob o peso da baixa esperteza, da malandragem, do sofisma, do mau-caratismo. Nada supera o asco de sabermos que a miséria, mantida cativa do assistencialismo e do eleitoralismo, é o combustível da máquina que tentou e tenta assaltar o Estado de Direito.

Os golpistas denunciam o golpe.
Os conspiradores denunciam a conspiração.
Os ladrões das esperanças alheias (também delas) denunciam o roubo da esperança.
Os trapaceiros denunciam a trapaça.
Os imorais denunciam a imoralidade.
Os vigaristas denunciam a vigarice.

Estamos perplexos, todos nós. Mas, nessa disputa, é preciso ter lado.Tentaram governar sem oposição. Tentaram fraudar a vontade das urnas. Tentaram transformar inocentes em culpados. Tentam agora transformar os culpados em vítimas de injustiças que seriam históricas, só reparadas com a intervenção de um demiurgo, no comando de um partido redentor. Digam a si mesmos e a todo mundo: quem deu anuência à operação do dossiê fajuto é capaz de qualquer coisa. As instituições são hoje reféns do autoritarismo, da irresponsabilidade, da vilania. Por perplexos que somos, certamente pensamos coisas distintas. E nem sempre são minudências, detalhes desprezíveis. Mas isso fica, com efeito, para depois.
Agora, interessa constatar: a sr. Luiz Inácio não deveria ter sido candidato. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, que tome posse se a lei permitir. Empossado, devemos recorrer às instâncias legais para impedi-lo de governar. Não, a gente não é Carlos Lacerda. Nem Lula é Getúlio Vargas. Essa farsa histórica também não vai vingar.

Ciro se diz candidato em 2010 e quer se unir com Aécio. Contra São Paulo.

Por Eugênia Lopes, no Estadão: “Com a eleição para a Câmara praticamente garantida, o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) começou a se posicionar como alternativa para concorrer à Presidência em 2010. Ciro admite ser o candidato de Luiz Inácio Lula da Silva, caso o presidente seja reeleito. Na sua avaliação, o PT não tem hoje um nome forte para ser o sucessor de Lula daqui a quatro anos. E o PSDB vive um momento difícil, provocado pela hegemonia dos paulistas na legenda. 'A tensão no PSDB é muito forte e há um vazio no PT, que não tem quadros notórios para rivalizar nas próximas eleições presidenciais. E é claro que posso ser a opção para 2010', diz. 'Mas estou sem pressa e sem pretensões.' Ciro, que perdeu 12 quilos na maratona da campanha, deve ser o deputado mais votado do Ceará amanhã, com cerca de 400 mil votos. Uma das hipóteses que ele admite é a formação de uma chapa para 2010 com o atual governador de Minas, o tucano Aécio Neves. 'É claro que é possível uma chapa Aécio/Ciro', afirma. Ciro foi do PSDB, que deixou em 1996, e já tentou a Presidência em 1998 e 2002. Para ele, a briga interna no PSDB ficará explícita já na semana que vem, caso Lula seja reeleito amanhã. E mais uma vez, na sua opinião, os paulistas tentarão manter a hegemonia. É aí que entra a possibilidade de Aécio Neves vir a formar uma chapa com Ciro Gomes na próxima disputa presidencial, daqui a quatro anos.” Clique aqui para ler mais

Hamilton... Se apertar, ele fala?

Duas notas do Painel, comandado por Renata Lo Prete, na Folha deste sábado merecem atenção:
"O fator Hamilton: O PT não está seguro de que Hamilton Lacerda seguirá o exemplo de Delúbio Soares e Jorge Lorenzetti, assumindo a bronca em silêncio e até o fim. O homem apontado pela PF como carregador da mala de dinheiro que pagaria o dossiê contra José Serra planejava ascender em futuras administrações do partido e eventualmente se candidatar a deputado, movimento abortado pela condição de bode expiatório do escândalo. Em privado, petistas dizem que o comportamento de Aloizio Mercadante, a quem Lacerda era diretamente subordinado na campanha de São Paulo, "não está sendo o combinado". Como assim? O senador, alegam, não se limitou a demonstrar distância do ex-braço-direito, passando a rifá-lo em público.
Pote de mágoa. Maria Isabel Fonseca, mulher de Lacerda e ex-secretária adjunta de Administração da Prefeitura de Guarulhos, não está nada satisfeita com o tratamento dispensado por Mercadante a seu marido. Já sugeriu que, se exagerarem na dose, vai sobrar para mais gente.
" Leia íntegra do Painel

PF identifica casa de câmbio que comprou parte dos dólares

Por Andréa Michael e Sheila D’Amorim, na Folha: “A casa de câmbio Disk Line foi quem comprou parte dos US$ 248 mil apreendidos pela Polícia Federal com petistas que tentavam, no dia 15, negociar um dossiê contra o tucano José Serra. Com escritórios em São Paulo e Rio, a Disk Line é de Marco Antônio Cursini. Segundo a Folha apurou, os dados do BC repassados à PF apontam a Disk Line como sendo a empresa que adquiriu os dólares das corretoras Action e EBS, com sede em São Paulo. O dinheiro negociado por essas corretoras (cerca de US$ 110 mil) fazia parte de um lote de US$ 15 milhões comprado pelo banco Sofisa junto ao Commerzbank de Frankfurt, no dia 15 de agosto. A identificação de um dos compradores dos dólares envolvidos no escândalo surge um dia depois de a oposição criticar duramente a PF e o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) de estarem escondendo o nome do comprador. Horas após os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Heráclito Fortes (PFL-PI) saírem de um encontro com o presidente do BC, Henrique Meirelles, acusando Bastos de ser ‘cúmplice de um crime’, BC e PF começaram oficialmente a trabalhar em conjunto nas investigações. O BC divulgou nota na quinta-feira afirmando que não tinha sido procurado para ajudar no rastreamento dos dólares.” Clique aqui para ler mais

Ex-assessor de Mercadante diz que dossiê fajuto também serviria à campanha de Lula

Por Fábio Victoe e Rubens Valente, na Folha deste sábado: “Em um depoimento de cinco horas ontem na superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha de Aloizio Mercadante (PT) e assessor parlamentar do senador, declarou que o dossiê contra tucanos poderia ser usado nas campanhas de Lula e de outros petistas nos Estados. A informação partiu de seu advogado, Alberto Zacarias Toron. Foi a primeira vez que um dos envolvidos no escândalo do dossiê admitiu abertamente o uso eleitoral dos documentos e os associaram à campanha do presidente Lula. A Polícia Federal obteve mandados de busca e apreensão na Justiça Federal de Cuiabá e apreendeu, ontem à tarde, ‘agendas, documentos, fitas, cds e anotações’ na casa de Lacerda em São Caetano. ‘A polícia o ouviu porque ele foi chamado a Brasília para ver se seria possível divulgar um eventual material de repercussão na campanha’, disse Toron, sem citar à qual campanha estava se referindo. Questionado pela Folha, esclareceu: ‘A repercussão na campanha como um todo, não era só na campanha de São Paulo, não. É na campanha nacional. Eventualmente nas estaduais também’." Clique aqui para ler mais

Assim não, Alckmin!

Quero que Lula perca. Se não perder, quero que ele caia. Mas um erro é um erro é um erro. Geraldo Alckmin defendeu ontem a ausência de Aécio Neves no debate da Globo, mas criticou a de Lula. E disse que são coisas diferentes porque um não deve explicações à população, e o outro, sim. Besteira, doutor Alckmin. Se não tem o que dizer sobre o assunto, melhor ficar calado. Urna não é tribunal. Debate também não. Com todo o respeito, acho a opinião que já expressei aqui sobre o tema a melhor: ir ou não ir não é questão moral ou ética. Obedece apenas à estratégia de campanha. As duas posturas trazem prejuízos e benefícios. Eu acho que Lula perdeu mais não indo. Por isso, eu torcia para que ele não fosse. Já eu gostaria que Aécio tivesse ido para, com a sua popularidade, dizer aos mineiros por que o PT é um mal para o país, assim como ele deve achar que é um mal para Minas. Leia Musil, presidenciável Alckmin. A verdade tem apenas um vestido de cada vez. Por Thiago Guimarães, na Folha: “O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, criticou ontem a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate dos presidenciáveis na TV Globo, mas defendeu a estratégia no caso do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Falando ao lado de Aécio e do ex-presidente Itamar Franco, em Uberlândia (MG), Alckmin disse que a ausência do governador mineiro no debate regional se deu em "circunstâncias totalmente diferentes" das de Lula. ‘O Aécio não deve explicação, não pesa nada contra ele. O Lula deve explicações.’ Sobre a ausência de Lula, Alckmin disse que o petista ‘mostrou que tem medo’ e ‘mandou recado para o eleitor de que não está interessado na opinião das pessoas.’” Clique aqui para ler mais

PS:Respondo aqui a alguns comentários que já foram feitos. É claro que eu não esperava que Alckmin criticasse Aécio, gente! Driblasse a resposta, teria sido melhor. Até porque há tarefas partidárias, por mais chatas que sejam, que precisam ser cumpridas a depender do andar da carruagem — insisto que nem é uma questão de princípio. Serra cumpriu a sua em São Paulo. Com uma vitória esmagadora já consolidada, Aécio poderia ter feito a sua parte. Não é possível seguir o PT nessa história de que “existe a nossa moral e a deles”. Minas é o ponto fraco — fraquíssimo — de Alckmin depois do Nordeste.

A tucana Yeda passa o petista Dutra no RS

Uma grande notícia para os gaúchos, aos quais ainda devo um texto. A candidata do PSDB, Yeda Crusius, deu um chega pra lá no petista Olívio Dutra e deve disputar com o governador Germano Rigotto o segundo turno nas eleições no Rio Grande do Sul. Porto Alegre já tinha dado adeus ao petismo. E agora é o Estado, que já conhece Dutra, quem parece rejeitar, mais uma vez, a experiência. Na Folha deste sábado: “Na reta final da campanha eleitoral, a tucana Yeda Crusius, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto, desbancou o petista Olívio Dutra da vaga para o segundo turno que ele vinha assegurando durante toda a campanha pelo governo do Rio Grande do Sul. Pesquisa do CPCP (Centro de Pesquisas Correio do Povo) divulgada ontem pelo jornal ‘Correio do Povo’, apurada entre os dias 26 e 28 deste mês, mostra o atual governador, Germano Rigotto (PMDB), com 31,9% das intenções de voto, enquanto Yeda tem 29%, e Olívio aparece com 25,1%. Foram entrevistadas 2.800 mil pessoas. O registro no TRE é 58.615/2006. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, realizada nos últimos dias 21 e 22, Rigotto aparecia com 29,2%, e Yeda tinha 19,7%, atrás de Olívio, que contava com 23,4%. A margem de erro é de 1,7 ponto.” Clique aqui para ler mais

Veja 5 - O golpista, o ato terrorista, a resistência

Se vocês ainda não ouviram no Podcast do Diogo Mainardi (clique aqui), estamos ambos empenhados em dar um golpe de Estado, agora ou depois (caso Lula seja reeleito), tanto faz. Somos desses espíritos indômitos que não se conformam com o não cumprimento da lei. Diogo resolveu optar por uma ação terrorista e foi sozinho assistir ao debate da Globo, onde esperava encontrar Lula. O objetivo era fazer guerrilha psicológica, desestabilizá-lo com o olhar. Huuummm. Não deu. Na sua coluna desta semana — agora com link aberto, que segue abaixo —, Diogo narra flagrantes desse ato de coragem.

“Estou aqui. Em Jacarepaguá. Rede Globo. Comendo bisnaguinhas com presunto e queijo. Quantas já comi? Seis? Sete? Faltam duas horas para o debate eleitoral. Lula acaba de mandar uma mensagem à Rede Globo. A mensagem diz: ‘Não posso render-me à ação premeditada e articulada de alguns adversários que pretendiam transformar o debate desta noite em uma arena de grosserias e agressões’. Foi só para isso que eu vim a Jacarepaguá. Para ver Lula na arena. (...) Entro no auditório. Quem é aquele? Gabriel Chalita? Fiz um artigo a respeito dele. (...) Geraldo Alckmin está acenando para mim ou para a Paula? É para a Paula. (...) Fala Cristovam Buarque. Fala Geraldo Alckmin. Fala Heloísa Helena. Réplica. Tréplica. Lula faz falta. O repórter na minha frente anota sem parar. Olho meus papéis. Só há uma anotação: Chiquinho 97626382. É o celular do motorista. No fim do primeiro bloco, telefono para o Chiquinho e volto correndo para casa. (...) O golpista Mainardi se entrincheira com seus leitores. Do outro lado da barricada, o lulismo. (...) O golpe dará certo.” Clique aqui para ler íntegra

Veja 4 - Um procurador na mira do PT

Por André Petry: “Quando se sentiu acuado, o governo do PT caiu numa implacável perseguição contra o caseiro que ousou denunciar um ministro. (...) Agora, só a vigilância da sociedade pode impedir que um massacre parecido aconteça com o procurador Mário Lúcio Avelar [que] comanda a investigação que detonou o trambique do dossiê preparado por dirigentes do PT. Na semana passada, ainda teve a ousadia de pedir a prisão de seis petistas envolvidos no caso, entre eles o segurança e o churrasqueiro de Lula. Na quarta-feira, em entrevista à TV Record, o presidente, questionado sobre o impacto que as prisões teriam sobre sua campanha, mandou um recado assustadoramente explícito ao procurador. "Às vezes me pergunto se o estrago será para o candidato Lula ou para quem está pedindo as prisões dessas pessoas." (...) Mário Lúcio Avelar (...) comandou a operação que flagrou 1,3 milhão de reais em dinheiro vivo no bunker de Roseana Sarney (...). Também comandou a investigação sobre o desfalque monumental da Sudam, que acabou colocando um par de algemas em Jader Barbalho – de quem, hoje, Lula beija a mão e ouve conselhos políticos. Coube ainda ao procurador implodir o esquema dos sanguessugas cujos desdobramentos o levaram à situação mais temerária de sua carreira: meter-se com o pessoal do PT. Aos amigos, o procurador tem dito que está com medo.” Clique aqui para ler mais

Veja 3 - SP no combate à feiúra e à sujeira

Por Roberto Pompeu de Toledo: “Um sinal de que nem tudo está perdido foi dado na semana passada em São Paulo com a aprovação de uma lei municipal que proíbe a propaganda nas ruas da cidade. Foi uma rara vitória do interesse público sobre o privado, da ordem sobre a desordem, da estética sobre a feiúra, da limpeza sobre a sujeira. Por uma vez na vida, tudo o que costuma vencer, no Brasil, perdeu. Quando o projeto de lei foi pela primeira vez apresentado pelo prefeito Gilberto Kassab, a experiência recomendava que todo ceticismo seria pouco. Era bom demais para ser verdade. Na semana passada, a Câmara Municipal, que goza de merecida má fama, e não é o foro de onde se esperaria maior resistência às forças do interesse privado, da desordem, da feiúra e da sujeira, votou surpreendentemente a favor, pelo esmagador placar de 45 votos a 1. A lei proíbe outdoors, faixas, painéis eletrônicos, banners e qualquer outro tipo de publicidade nos espaços públicos, mesmo a afixada em táxis e ônibus e até em balões suspensos e helicópteros.” Assinante lê mais aqui

Veja 2 - O PCC muito além de São Paulo

O Primeiro Comando de Mato Grosso do Sul comanda rebelião: inspiração e o PCC (Foto: Valdemir Rezende/Correio do Estado)
Por Fábio Portela: “Quem acredita que o avanço da facção criminosa conhecida como Primeiro Comando da Capital (PCC) é um problema exclusivo do estado de São Paulo está perigosamente enganado. Um levantamento feito por VEJA com governos estaduais e o Ministério Público revela que o PCC já fincou sua bandeira em pelo menos outros cinco estados brasileiros. Sem alarde, o grupo criminoso liderado por Marcos Camacho, o Marcola, está nacionalizando suas operações. Além dos 15.000 filiados que tem em São Paulo, o PCC já "exportou", para outras unidades da federação, 500 integrantes – levando-se em conta apenas aqueles identificados pela polícia. A missão essencial desses "embaixadores do crime" é exportar o modelo paulista de dominação de presídios, baseado em um rígido sistema de hierarquia, tendo como objetivo final a expansão de seu principal negócio: o tráfico de drogas. A tática da organização segue a mais primitiva lógica empresarial: quanto maior o mercado de atuação, maior o lucro. "O PCC está caminhando para se tornar uma grande franchising nacional do crime organizado", diz o promotor Mauro Renner, que coordena o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, do Ministério Público. ‘A idéia de seus líderes é montar uma rede de comunicação e atuação em todo o país, usando os presídios como base’, afirma.” Assinante clica aqui

Veja 1 - O elefante


Por Lucila Soares e Sandra Brasil: “Nesta reta final de uma eleição que vai decidir os rumos do Brasil nos próximos quatro anos, VEJA dá sua contribuição a um dos mais acalorados debates da atualidade: qual é, afinal, o papel que cabe ao governo no desenvolvimento de uma nação e na garantia de bem-estar a seus cidadãos? Para isso, partiu de um levantamento que mostra o que aconteceu no Brasil nos últimos cinqüenta anos em três grandes áreas – infra-estrutura (estradas, abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica e telefonia), educação e saúde (acesso ao ensino fundamental e à universidade, mortalidade infantil e expectativa de vida) e consumo de bens duráveis (automóveis, geladeiras, televisores e computadores pessoais). São doze gráficos, nos quais estão identificados os períodos de maior evolução de cada um dos indicadores, quem era o presidente e quais foram as medidas que determinaram o avanço.
O resultado mostra uma inequívoca melhora nas últimas cinco décadas, ao longo das quais o Brasil teve treze presidentes. Confirma que o Estado teve papel relevante em saltos fundamentais, como a construção da infra-estrutura de geração e distribuição de energia e de abastecimento de água, que por sua vez contribuíram para a melhoria de indicadores sociais, como a redução da mortalidade infantil. Deixa claro também, no entanto, que boa parte desses avanços foi conseguida à custa de um Estado cada vez maior e mais voraz, cuja ineficiência foi coroada há dezoito anos, com um gigantesco desastre fiscal – a Constituição de 1988.”
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Não sei voar

Eu não tenho nada a dizer sobre aviões num blog com este perfil. Já não gosto deles quando voam. Vocês podem imaginar quando caem. Quando estou num vôo, faço um esforço danado para me convencer de que está tudo bem. Fico sendo assaltado por milhares de possibilidades de falhas humanas. Sei lá: o cara ia apertar uma porca, um parafuso, alguém desviou a sua atenção para um outro assunto, e lá ficou a coisa solta. O piloto se confunde numa dessas operações binárias que traem o cérebro, como quando um motorista avança, sem querer, o vermelho. Um lapso pode ser irrelevante com algo ao nosso alcance e sob nosso controle. Mas o que é margem de segurança a alguns milhares de pés, sem uma corte suprema de apelação?

Viajar de avião me é um suplício. Posso estar moído de cansaço, não consigo dormir. Bom mesmo é andar nas asas das estatísticas... O mais seguro meio de transporte etc e tal. Entendo por que a série Aeroporto fez tanto sucesso. O avião nos expõe a uma terrível fragilidade. Reúne-se um grupo de pessoas que têm de confiar nada menos do que sua vida à ciência aeronáutica e à perícia de outros homens, precários e frágeis, como todos nós. Notem que todo vôo está sempre carregado de uma tensão muito sóbria. Mesmo com a descontração chegando aos aviões nas asas da popularização, o povo, de natural ruidoso, se verga ao silêncio ético, decoroso. Somos todos convidados a fazer um exame de consciência.

Acidentes aéreos nos chocam mais do que outros. Parece que, volta e meia, se paga um preço por uma afronta. E para que se continue a voar. Como aqueles gnus de um documentário que têm de cruzar um rio. Alguns serão comidos pelos crocodilos. Para que milhares se salvem. Viver é triste às vezes.

Pegou mal

Não é pesquisa, não. Ao longo do dia, conversei com dezenas de pessoas ao telefone, algumas delas são políticos, que estão nas ruas, tentando ganhar votos. Todas, sem exceção, me dizem que “pegou mal” Lula não ir ao debate. Até candidatos a deputado do PT detectaram a reação. Vamos ver se a decepção passa para as urnas.

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Sobre as malas e os malas

É claro que aquela dinheirama toda não caberia numa única mala de mão. Mas o tal Hamilton Lacerda esteve duas vezes no hotel, segurando malas diferentes, estão lembrados? E as desculpas dele são sensacionais. Na segunda, vá lá, ele diz que levava um laptop. E na primeira? Ora, material de campanha. Faz sentido, não faz? Um meganha está no hotel, pronto para comprar um dossiê, e chega o assessor de Mercadante para entregar santinho. Vejam mais: ele chega carregado e sai de mãos abanando. Logo, presume-se, os pafletos ficaram no quarto. Não foram achados pela PF. Em seu lugar, apareceu uma montanha de dinheiro. Lula já pratica a transubstanciação; um discípulo seu, mais modesto, consegue fazer com que seus assessores operem prodígios: transformam material de campanha em dinheiro vivo. É o chamado “Milagre de Mercadante”.

Não muda nada - Outra teoria influente é que, ao se jogar tudo nas costas do senador dos 10 milhões de votos (rá, rá, rá), Lula estaria encontrando um ótimo bode expiatório. O senador, por sua vez, joga nas costas de Hamilton Lacerda, e Lacerda diz que não sabia de nada. E assim Lula iria se safando. Olhem aqui: tudo vai depender da origem do dinheiro. Que o PT de São Paulo está envolvido nessa história até o pescoço, é óbvio: o próprio Lacerda, Ricardo Berzoini e Osvaldo Bargas o provam. Mas as conexões com Lula não desapareceram, não. A presença de um assessor de Mercadante na cena do crime só as reforça. Quem conhece o PT duvida que Bargas e Berzoini, por exemplo, agissem sem o conhecimento do chefe. E há ainda Freud Godoy, o carrega-malas, acusado diretamente por Gedimar Passos, além de Jorge Lorenzetti, que seria um dos cérebros da operação. É gente da cozinha presidencial. Em suma: os ombros de Mercadantes estarem se vergando mais a cada dia não quer dizer que os de Lula estejam livres, leves e soltos.

Sobre os comentários

Leitores reclamam que não estou publicando alguns comentários. Corto os petralhas, como sempre, e alguns que vêm com palavrões ou acusações contra figuras públicas. É claro que há gente que merece bem mais do que se diz, mas vocês precisam compreender o aspecto legal. E também faço uma certa peneira para gente que apenas quer divulgar blogs, muitos sem qualquer parentesco com política, economia, pensamento e vizinhanças, coisas de que trato aqui. Isso à parte, só se o Blogger, que anda uma porcaria esses dias, estiver com algum outro problema que ignoro.

Não aprenderam nada; não esqueceram nada

Eu tenho até preguiça de comentar a representação do PT ao TSE pedindo a cassação da candidatura de Geraldo Alckmin sob a acusação de violação de sigilo no caso das fotos. É mera ação para ganhar espaço nos jornais. Do ponto de vista estritamente técnico, observe-se: 1) não há qualquer evidência de que os tucanos estejam envolvidos na coisa; 2) o TSE, ao negar o pedido de censura das imagens, já disse que o segredo vale para o âmbito da investigação que o tribunal está fazendo: a campanha de Lula estava ou não envolvida na lambança? Assim, ainda que satisfeita a primeira condição, a segunda estaria prejudicada. Quanto à falta de vergonha de quem, pego em flagrante, sai atirando e invertendo o ônus da culpa, o que dizer? É o PT. São os petistas. Volto a uma de minhas frases prediletas: não aprenderam nada; não esqueceram nada.

Cuidado com as teorias conspiratórias

Calma, gente! Não vamos deixar o PT nos enlouquecer a ponto de repetirmos o tio maluquinho, Cristovam Buarque, que tentou ver alguma maquinação petista na divulgação das fotos. Elas vieram a público agora porque só agora foi possível, ora essa. Quem vazou não conseguiu fazê-lo antes. E estas nem são as fotos da diligência original, tiradas no ato da apreensão. É o dinheiro depois de contado e guardado pelo Estado, daí as cintas da CEF nos maços. É óbvio que o PT não queria a divulgação das imagens. Tanto não queria que recorreu ao TSE para impedir a circulação das imagens. E ninguém menos do que Ricardo Berzoini assinou o pedido. Berzoini é aquele a quem Lula atribuiu toda a culpa e também aquele que respondeu: “Se o presidente disse, está dito”. Assim como a operação que resultou na prisão dos bandidos petistas foi feita à revelia de Márcio Thomaz Bastos, o ministro da Justiça, também a divulgação das fotos se deu sem que ele soubesse. É uma pena que não tenha acontecido logo depois do flagrante? É, sim. Mas também é sintomático que, pela segundo vez, Bastos tenha levado um olé da PF, que tão diligentemente serviu aos propósitos do governo Lula. É uma bobagem supor, e espalhar na rede, que os petistas possam ter qualquer interesse nesse episódio. Sua única intenção, desde sempre, foi esconder a dinheirama. E ela ganhou o mundo.
A FITA - A PF sempre filma suas operações. Seus cineastas deveriam ter o patrocínio da Petrobras e do Banco do Brasil. O resultado, cinema-verdade, é sempre melhor do que qualquer filme brasileiro de ficção. Com essa operação não foi diferente. Se alguém da PF tiver uma cópia da fita e quiser me passar, divulgo no blog, hehe.

O segundo inocente do dia: Freud

À Polícia Federal, Freud Godoy, o carrega-malas de Lula, negou que tenha qualquer envolvimento com a lambança do dossiê. A melhor evidência que apresenta é o fato de não ter saído de Brasília no período. Não esteve, diz, nem em Cuiabá nem em São Paulo. Ok. E desde quando é preciso estar no lugar do crime para dar uma ordem? Quem o acusa de ter dado o “salve” é Gedimar Passos, que foi preso com a dinheirama. E os telefonemas trocados entre ambos? É que a empresa da mulher de Freud havia prestado serviços para Gedimar no comitê de campanha... É um mundo pequeno este do petismo, todos eles se conhecem. O próprio Botelho, como é sabido, foi estagiário de Márcio Thomaz Bastos... A coisa mais parecida é o Kremlin nos dias de Stálin.

Tá bom, concordo!

É, bem lembrado por um leitor... Esse negócio de "Allez le bleu" não dá muita sorte, né? Era só para opor a turma da Sorbonne à turma do suborno. Mas vá lá: Forza Azurra!!!

TSE não acata pedido de proibição de imagem e ainda desmoraliza nota do comando da PF

Tava combinando o golpe de Estado com o Diogo e me atrasei. Vocês viram, né? O TSE negou o pedido de censura das fotos feito pelo PT. Diz a decisão: “Não há comprovação de que o segredo de Justiça concedido pelo relator do procedimento acima indicado tenha se expandido a qualquer outro feito judicial ou de natureza investigatória em curso na Política Federal". Em português, isso quer dizer que o segredo determinado pelo TSE vale para o TSE, não para a Polícia Federal. Mas quer dizer mais coisa também. A nota da PF, que se esconde no segredo de Justiça para não divulgar as fotos, sai desmoralizada. Relembro o seu teor: “O Departamento de Polícia Federal é a Polícia Judiciária da União e como tal deve zelar por suas decisões, em especial nos casos de segredo de justiça, quando tem o dever de garantir que as informações contidas em inquéritos policiais não se tornem públicas.” É uma vergonha! O TSE está dizendo que o segredo vale para as instâncias subordinadas ao... TSE. Não é o caso da Polícia Federal. Espero que os coleguinhas atentem para esse detalhe: o comando da PF não libera oficialmente as imagens porque não quer, não porque não possa. É a Justiça Eleitoral quem o diz.

Allez le bleu

O TSE autorizou o brasileiro a manifestar a sua preferência partidária no dia da eleição. Obrigado, TSE. Também é permitido usar gravata de bolinha, tomar Chicabom, coçar o cotovelo e ter pensamentos da cintura para baixo... O PSDB está convocando o que chama “Onda Azul por um Brasil decente”. Já o PT, que aposentou a cor de sua campanha, agora quer o “Domingo Vermelho”.

Nota do PF sobre divulgação dos fotos

Nota da Polícia Federal sobre a divulgação das imanges:

1. A Polícia Federal trabalha nas duas últimas semanas para elucidar por completo todos os fatos relacionados às ações iniciadas no dia 15 de setembro como desdobramento da Operação Sanguessuga. As investigações conduzidas pela equipe de policias federais de Mato Grosso que chefia o inquérito encontram-se em fase avançada e é certo que todos os envolvidos serão responsabilizados.

2. O Departamento de Polícia Federal é a Polícia Judiciária da União e como tal deve zelar por suas decisões, em especial nos casos de segredo de justiça, quando tem o dever de garantir que as informações contidas em inquéritos policiais não se tornem públicas.

3. Para esclarecer o episódio da divulgação das imagens do dinheiro apreendido, o que contraria decisão da Justiça Federal do Mato Grosso, a PF irá instaurar um procedimento disciplinar para averiguar as circunstâncias em que as fotos foram produzidas e divulgadas, e ainda se há algum servidor envolvido.

4. A PF esclarece que as fotos da apreensão realizada no dia 15 de setembro permanecem sob segredo no inquérito que apura o caso.

"Tucano, canceroso, bicha, reacionário, branquelo"

Acabo de receber uma mensagem simpática de um petralha. Eles estão em polvorosa. Ainda que não haja a virada, eu já me divirto com o calor que eles estão passando. Desde que tenho o blog, hoje é o dia em que estão mais agitados. Já me chamaram de tudo: tucano, canceroso, bicha, reacionário, branquelo. Também estão prometendo me pegar na porrada. Olhem a delicadeza de espírito:

Caro Canalha,
Infelizmente, o máximo que essas foto... Caro Canalha,Infelizmente, o máximo que essas fotos vão conseguir é a impugnação da candidatura do Chuchu. Pode se preparar para o "tapetão" que você tanto espera, porque depois de domingo vêm aí mais 4 anos de Lula.

Mais dinheiro no YouTube

Mais imagens da dinheirama no YouTube. Clique aqui

Petista pede ao TSE que censure as fotos

Vocês acreditam que o coordenador da campanha de Lula e vice-presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, entrou com um recurso do TSE para tentar retirar do ar as fotos da dinheirama? Os petistas estão, claro, com medo da repercussão na mídia impressa e eletrônica. Mas o que eles não querem mesmo, de jeito nenhum!, é ver as imagens no Jornal Nacional. O TSE andou dando maus exemplos, como foi o caso do direito de resposta concedido a Lula na Folha por causa de uma coluna do articulista Clóvis Rossi. Quando se confunde direito de opinião com campanha política, é fácil confundir direito à informação com proselitismo eleitoral. As fotos vazaram? A PF que abra procedimento interno para investigar. Mas tentar proibir? Os jornais dos EUA, não faz tempo, denunciaram a operação do serviço secreto que monitorava ligações feitas por americanos. É parte do pacote antiterror. Eu, aliás, defendo os procedimentos, deixo bem claro. Os dois: tanto o do governo, que tem a obrigação legal de proteger o país, quanto o da imprensa. Bush ficou furioso e tentou impedir a divulgação da notícia, Mas não conseguiu. E olhem que estava em causa matéria de segurança do Estado. No caso em questão, trata-se apenas da tentativa de proteger bandidos.

De terno e barba feita

Freud Godoy, o carrega-malas de Lula, acusado por Gedimar Passos de ter dado a ordem para a operação da compra do dossiê fajuto, está depondo. Chegou à PF de terno e barba feita. Perdeu aquele ar molambento que, dada as atividades a que se dedicava, lhe caía tão bem. Reparem como ele tem um ar, assim, um tanto abestado, típico de um falso sonso. Segundo a revista Veja, ele já fez as vezes de segurança de Delúbio Soares, quando este carregava malas — sempre elas — que a turma que vivia ao redor jurava recheadas de... dinheiro vivo — sempre ele. Aliás, se há algo que podemos dizer dos petistas é que eles não confiam em cheque...

A cassação de Mercadante

Eu não sei vocês. Mas já estou em campanha pela cassação do mandato do ainda senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Claro, claro, é preciso investigar se ele tinha conhecimento de que seu principal assessor, braço direito e, sobretudo, esquerdo, negociou um dossiê fajuto com a revista IstoÉ e, pior, levou uma mala recheada de grana até os bandidos petistas que esperavam no hotel. Vejam vocês: se o principal assessor de Mercadante não obedecia às suas ordens, então atendia a qual senhor? Será que existe uma Ordem Secreta no petismo que coordena estes seres malignos? Calma lá, senador.

Por enquanto, e só por enquanto, o “eu não sabia de nada” é uma licença concedida a Lula, que está alguns postos acima de Vossa Excelência na hierarquia da mistificação. Não basta demitir Lacerda — prática corriqueira no petismo: arrumar um bode expiatório. Se não era uma orientação sua, então era orientação de quem? A cascata de que o senhor não arriscaria o seu futuro é uma desculpa ex post (hoje baixou um Júlio César em mim...), que só faz sentido agora que todos sabemos que a operação deu com os bigodes n’água. Mas e se tivesse dado tudo certo? Ah, seu futuro poderia ser ainda mais brilhante. Não sei, não. Considere a hipótese de que Vossa Excelência está acabada. No petismo de São Paulo, nos setores próximos a Marta SuplIcy, há uma indiscreta euforia com a sua desgraça. Até agora eles não engoliram seus métodos de ganhar convenção. E olhe que são petistas também, dotados, o senhor sabe, de uma ética congênere.

Eu não sei se seus colegas de oposição, no Senado, vão pedir a sua cabeça. Sei que vou chamá-los de bananas se não pedirem, quando menos, a abertura de processo no Conselho de Ética. Se Vossa Excelência for inocente — e tenho o direito de não acreditar nisso —, não sai muito melhor na foto. Entra para a história como um traído bobalhão. E tem a obrigação de dizer a quem Lacerda obedecia. Se não o fizer, mantenho a minha militância em favor da sua cassação. Cá entre nós, Vossa Excelência está bem encalacrada.

"Tarse, Tarse, Tarse...Quem deus perdere vult, dementat prius...

Tarso Genro (Relações Institucionais) perdeu o senso de ridículo. Afirmou que a divulgação da imagem do dinheiro faz parte de uma conspiração envolvendo setores da Polícia Federal e do PSDB. E comparou o caso com o seqüestro do empresário Abílio Diniz, em 1989, quando os bandidos teriam sido forçados a vestir camisetas do PT. De manhã, Tarso queria fazer uma “concertação” com os tucanos. À tarde, ao sabor dos fatos, ele denuncia um golpe. Não sabe mais o que diz.

Se Tarso denuncia a existência de setores tucanos na PF, então é preciso admitir que há setores petistas nesta repartição pública. Imaginem um FBI dividido entre democratas e republicanos. Nunca antes Nestepaiz... De resto, os seqüestradores do empresário eram mesmo militantes de esquerda. Antigos membros do MIR chileno já admitiram a autoria da ação. E, não custa lembrar, ningu